Um Domingo com Teatro e Fotografia

O Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante está com uma programação bem legal. Não conhecia este projeto, vi no site que foi criado em 1999. Antes saber tarde do que nunca! Muito boa esta iniciativa, pois facilita o acesso à cultura, por oferecer programação barata ou com entrada gratuita. Reclamam que o povo não vai ao teatro, não se interessa por cultura, mas com os preços da maioria das peças, nem todos podem ir, o que desestimula, não faz criar hábitos culturais. Parabéns aos autores do projeto cultural!

Vi a exposição do fotógrafo Claudio Edinger: Portraits. Edinger teve fotos publicadas nas revistas Isto É, Veja, The New York Times, Paris Match e outras mídias. Na ehomem indianoxposição, há fotos de Bruna Lombardi, Woody Allen, Lula, algumas fotos da Índia (maravilhosas!), do Nordeste brasileiro, da Cláudia Magno, tão jovem (tinha esquecido dela, uma pena ter morrido tão cedo!). Linda a exposição. Amo fotografia, e está entre meus planos um curso de fotos.

 

Assisti também Shirley Valentine, com Betty Faria. Fiquei sabendo do CCBB pela propaganda da peça, gostei da sinopse: um monólogo de uma dona de casa, com um marido e dois filhos já criados. Shirley, tão vivaz e sonhadora na adolescência, se transformou em uma mulher apagada, que fala com as paredes. E o marido, também solitário, fala com a geladeira. Quando foi que o diálogo entre eles acabou, ela não sabia dizer. É estranha a transformação da relação que alguns casais passam: tão íntimos e, com o passar do tempo, tão estranhos um ao outro, pela falta de conversa. Shirley era só. A única certeza que tinha era ir em busca da sua essência, a Shirley Valentine da época de solteira. Então ela aceita o convite de uma amiga para ir à Grécia, por 15 dias, e se redescobre. Encantada com a mensagem que o texto passa, lá fui eu ao Teatro São Pedro comprar os ingressos, convidei meu pai para ir comigo. Já estava quase lotado (o valor do ingresso era quinze reais, e meia entrada para quem era correntista do Banco do Brasil). Consegui lugar somente na Galeria Central, no último andar do teatro. “Visibilidade Prejudicada”, mencionava o bilhete. Isso significava que teríamos que chegar uma hora antes, para conseguirmos ficar na fileira da frente, encostados na grade, para poder enxergar o espetáculo.

shirley 1 Conseguimos o lugar, mas algumas pessoas não. Nestas horas percebemos que teatros antigos são belíssimos pela arquitetura, mas mal planejados: o pessoal que ficou na fileira de trás, visualizava o corrimão da grade, cortando a visão. E, detalhe, tenho fobia de altura. No lugar que sentei, os meus pés encostavam-se à grade, e eu via toda a platéia debaixo, no térreo, pequenininha. Cheguei a sentir um frio nos pés (quem tem fobia de altura sabe do que estou falando: o frio, ao invés de ser na barriga, é nos pés). Olhei para a senhora que estava ao meu lado e disse que hoje curaria minha fobia de altura. “Sempre gostei de altura”, ela me respondeu, e fiquei pensando quando começou este meu pavor por lugares altos. Quando criança, lembro de subir escadas, não as de casa, mas as de pedreiro, mas não conseguia descê-las, por medo de cair. Apesar disso, quando eu ia a parques de diversão, adorava brinquedos como a Roda Gigante e o Kamikase. Hoje, ainda aceitaria andar em algum, mas ficar solta, sem proteção, nas alturas, faz-me suar frio.

shirley 3 A peça começou e Betty Faria encarnou a personagem com uma sensibilidade que nos fazia rir e nos emocionar ao mesmo tempo. Sozinha no palco, Shirley Valentine desabafava sobre a vida parada que levava, como se conversasse com amigos. Era engraçada ao falar das suas desgraças e nos fazia refletir: “Pra que tanta vida, sem nem a usamos?”, questionava ela. O medo de mudar faz com que se criem barreiras na própria vida. A acomodação sempre vem acompanhada do medo, seja do ridículo ou da própria mudança, como se as pessoas não merecessem sair daquela vida sempre igual. A única coisa boa que o tédio traz é a segurança. Viver sem novidades: nem boas, nem ruins. Há um momento, na vida da maioria das pessoas, em que se sente necessidade de movimentar o tédio. Uns deixam a vontade passar, outros vão para a “Grécia”, como Shirley. Revolucionar para se reencontrar, e não perder vida! A peça acabou e aplaudi Betty em pé, sem medo de cair da galeria do último andar do teatro. Quando enfrentamos nossos medos, eles se tornam tão menores, que seria um desperdício nos focarmos tanto neles. Viver é necessário, o resto é mesmice.

Aconselho a todos a assistir:

Shirley Valentine.

Com Betty Faria.

Texto de Willy Russell.

Tradução de Euclides Marinho.

Direção de Guilherme Leme.

Site da peça: http://shirleyvalentine.com.br/

e a ver:

Portraits – Claudio Edinger.

15 a 25 de outubro de 2009, no Teatro São Pedro, Porto Alegre/RS.

Demais cidades, consultar o site do CCBB.

feminino x masculino A guerra dos sexos sempre existirá, homens e mulheres querendo se autoafirmar não só no ambiente de trabalho, como também nos relacionamentos. O número de divorciados e separados aumentou em triplo em comparação ao tempo dos nossos pais, os precursores em não querer mais conviver em conflito. Homens reclamando que não entendem as mulheres é o mais comum de se ouvir, virou clichê. Com a independência feminina e a mulher impondo sua opinião, elas também soltam o verbo e afirmam: homens são mais difíceis de entender que mulheres. Talvez por eles terem uma visão mais simples das coisas, não complicam. E entender esta ausência de complicação não é nada fácil para o sexo feminino, tão detalhista. Em tempos de guerra, a mulher descarrega o estresse na fase da TPM. Os homens escolheram a Caverna para se esconderem dos dias cinzentos.
A Tensão Pré-Menstrual (TPM) é famosa por enlouquecer a todos que estão ao redor das mulheres que sofrem deste mal. Sim, porque TPM é um mal. Ou ela faz brigar com o mais paciente ser que cruza o caminho de uma mulher em fúria, deixando-a com raiva de tudo e de todos, ou a faz chorar diante de um mero comercial de televisão. O lado bom – ou ruim? - deste choramingo que a disfunção hormonal provoca é a inspiração criativa provocada por uma sensibilidade à flor-da-pele, muito útil em algumas áreas da vida. Uma autoanálise surge nas fases melancólicas e a mulher tem a impressão que é a única solitária da face da Terra, mesmo estando acompanhada. É a fase do “descarrego”, em que tudo o que incomoda e está guardado no íntimo eclode. Quem aguenta elas nestes dias? Nem elas mesmas se suportam!
Pior que conviver com uma mulher em TPM, é ter que lidar com um homem enquanto ele estiver na Caverna. Quando isso acontece, ele some por um tempo, porque não quer ser visto “na escuridão” da depressão que o estresse lhe provocou e, se não for possível desaparecer, ele se cala, respondendo apenas monossilabicamente a qualquer pergunta, e o faz de forma tão sussurrante, como se falasse para dentro, que a mulher tem que pedir para ele repetir o que disse, deixando-o irritado. Não se sabe do problema, se o incômodo é com ela ou com o trabalho, talvez seja com os amigos. Ele não diz o que tem, porque “não é da tua conta”. Enquanto ele se esconde, mil coisas passam na mente da mulher, pela falta de atenção e indiferença que ela recebe, deixando-a confusa e insegura. Seria mais fácil e causaria menos estresse se o homem na Caverna desabafasse ou, pelo menos, desse alguma pista do que está acontecendo. Viver uma relação assim é como estar sozinho, mas juntos. Não há troca. Segundo John Gray, autor de Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus, o homem só sai da caverna depois de “ruminar” os seus problemas, até encontrar uma solução, e a mulher precisa entender esta necessidade de isolamento que ele tem. Quem aguenta o homem nestes dias? Nem eles se suportam!
Se ambos estão “nesses dias” na mesma época, sai da frente que vem “chumbo grosso”. A teoria faz a convivência parecer ser fácil, porém nem todos estão dispostos a adaptarem-se com as necessidades do outro. Vivemos tempos de ansiedade e somente muito amor ou, pelo menos, muita vontade de que o relacionamento dê certo renova a compreensão e a paciência dos primeiros anos da relação. Temperamentos imprevisíveis desgastam o afeto e cansam. Também não se pode deixar de comentar que há mulheres que vivem em uma eterna TPM e homens que nunca saem da Caverna. São os chamados “difíceis de conviver” ou pessoas de “gênio forte”. Ao passo que a TPM atiça sentimentos explosivos, como raiva e impaciência, a Caverna amorna pelo isolamento, como se esfriasse aos poucos o amor. Relação morna ninguém quer, nem chá ou café mornos são bons. Homens e mulheres tem diferentes formas de extrapolar o estresse, mas as conseqüências são semelhantes: distanciam o outro.
Seria tudo mais fácil, se as pessoas não complicassem tanto. Todavia o que fazer se os hormônios são os que comandam? Aprender a conviver com as diferenças e saber que tudo não passa de fogo de palha é a forma mais adequada. Hoje em dia, a medicina já tem solução para quase tudo: a Psicanálise deixou de ser tratamento para doidos, vencendo o preconceito, e a TPM é controlada com comprimidos que regulam os hormônios. Mas e a Caverna? Ainda sem solução e, em pleno século XXI, o homem estressado se isola, recusando ajuda, parecendo os seus antepassados pré-históricos. E depois as mulheres é que são difíceis de entender.

Há algumas semanas, recebi o convite da minha amiga blogueira Luciana P., para escrevermos um texto onde falaríamos sobre as perspectivas e o que pensam mulheres de diferentes décadas. Achei muito boa a ideia e aceitei, junto a outras blogueiras. Interessante ver o amadurecimento e pensamentos de mulheres em diferentes fases. O texto ficou pronto e publicado ontem, no blog Afrodite para Maiores, da Luciana.
Adorei o resultado! Eu me vi em Kika quando tinha a idade dela, época de sonhos, de não saber “o que serei quando crescer” e de que está na hora de levar a vida a sério, pois finalmente chegamos à vida adulta. Comparando meu depoimento ao das outras blogueiras, percebi o quanto sou séria. Queria ser mais alegre, mais divertida. Eu me considero bem-humorada, dou bastante risada, faço piadas de tudo, mas esta forma de encarar a vida eu queria que fosse mais light, mais leve, como quando eu tinha os meus 20 anos. Estes dias eu estava falando a um amigo que eu estava com baixa autoestima de personalidade. Estou contente com minha aparência, o que era possível mudar eu já mudei, mas este “ser maduro demais" não me agrada. O meu problema é que levo a sério demais o ditado “prevenido morreu de velho”. Sempre penso no depois e, na vida, o bom é viver o momento.
De todas as que deram depoimento, a que me pareceu estar em uma fase tranqüila, a fase Carpe Diem, foi Ava. Pela sua experiência de vida e mostrar-se uma mulher que não se acomoda, merece aproveitar o que a vida oferece de melhor. Hoje, eu me identifico muito com a Luciana, talvez por isso sejamos amigas e sempre mantemos contato. Temos o mesmo signo, somos arianas. Quatro depoimentos, um desejo: o de ser feliz!
A Luciana P. me autorizou a publicar o texto no Mundo Insano, e para quem quiser saber mais sobre estas mulheres tão cheias de vida e de incertezas, convido-os a conhecerem o blog delas (o link está no texto da Lu). Vale à pena a visita.





 

Eis o texto:




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Nascidas em décadas diferentes, quatro mulheres de estereótipos personalíssimos, com um ponto em comum: todas blogueiras. Ava (Minhas Vidas), Lu (Afrodite para Maiores), Dani (Mundo Insano) e Kika (Felicidade à Vista) Elas expõem quem são, o que pensam sobre a vida e quais as suas expectativas, num contexto amplo e irrestrito.

ava Ava/Alice, 50 anos, divorciada, administradora de empresas, começando minha Pós-Graduação em Gestão de Negócios. Voltei ao mercado de trabalho após 21 anos. Tempo esse em que curti meu casamento e criei meus filhos... Um tempo muito feliz!
Recomeçar exigiu de mim uma força colossal... Força que, em momento algum, senti fraquejar. Sinto-me realizada como profissional, como mãe e como mulher. Voltar à ativa não é fácil, e hoje percebo que consegui, e que estou produzindo, trabalhando, criando, dentro de uma organização que me absorve totalmente.
Acredito no amor e em suas várias formas de se manifestar... Gosto do amor, gosto de amar e de ser amada... E gosto daquele homem que consegue, um pouquinho pelo menos, acompanhar o pique dessa mulher de 50 anos.
 Enfim, sou apenas uma mulher que ama, que vibra, que pulsa, que sente o amor, que ri, que chora, que grita, que faz silêncio, que sente a vida como se quisesse bebê-la em grandes goles... Que sente o fogo da vida em labaredas gigantescas, arder o tempo todo dentro de mim...



luciana Luciana/Lu, 41 anos, professora de Português. Quando se está nesta fase da vida não é muito difícil olhar para trás e perceber o que ainda está faltando. Já tenho uma ideia exata do significado da palavra “ausência”. Portanto, eu sei perfeitamente o que preciso para o meu presente e quais expectativas ainda alimento para o futuro.
Não concordo com as pessoas que dizem que uma mulher de quarenta é segura, decidida e sabe o que quer. As inseguranças surgem dependendo do contexto que se está vivendo e não da idade em que se está. Não é porque já escrevi mais da metade da minha história que terei respostas prontas para os capítulos vindouros, que podem surgir numa manhã de primavera ou numa noite cálida de verão.
Uma mulher de quarenta não terá os rompantes da juventude, pois sabe que isso poderá lhe causar danos irreparáveis ao coração. Nesta idade, posso ser tão sensível quanto qualquer mulher mais jovem, mas consigo camuflar num sorriso inteligente e maduro todas as dores e instabilidades que, de repente, estou vivenciando.
A única certeza que uma mulher madura como eu tem é a mesma que uma de 20, 30, 50 ou mais: buscar a felicidade, esteja ela onde estiver.




Daniela Figueiredo Daniela Figueiredo, 34 anos, servidora pública. Adorei quando fiz 30 anos, ao contrário de algumas amigas que entraram em crise de idade. Depois dos 30, passei a cuidar de mim, investi numa reeducação alimentar e exercícios físicos - era completamente sedentária antes disso.
Quero chegar aos 40 anos em boa forma. Estou na época de realizar os planos feitos aos 20, agora que já conquistei a minha independência. Fui criada para não depender de ninguém e, sim, ter meu próprio dinheiro para fazer o que eu tivesse vontade. Nunca sonhei em casar na igreja, de véu e grinalda, e formar uma família. Claro, que eu queria ter marido e filhos, porém a minha prioridade era minha profissão. Não poder me sustentar sozinha era o meu maior medo. No momento, meu projeto é livrar-me do aluguel e adquirir um apartamento. Também voltei a estudar em um curso pré-vestibular, vou cursar outra faculdade. Quero fazer tanta coisa, que me falta tempo. Sinto falta de ter um namorado, ninguém quer ficar sozinho, e eu me pergunto se estou dando espaço para “ele” entrar na minha vida. Recém aprendi que podemos viver tudo, que para nos dedicarmos a uma área da vida não é necessário esquecermos as outras. Estou mais light comigo mesma.
Vivi algumas paixões, mas nada que mexesse muito comigo. Não acredito em “par ideal” ou “príncipe encantado”, mas sempre quis viver os romances de cinema. Não quero ser como aquelas mulheres desiludidas e conformadas. Sei que criar expectativas só atrapalha, pois faz com que a gente fantasie e deixe de aceitar o outro do jeito que é.
Viver o momento e me permitir aproveitar o que a vida oferece, sem criar barreiras e desculpas, é a minha prioridade atualmente.



érika Érika/Kika, 22 anos, é pouca idade ainda para a jornada que me espera pela frente. Posso resumir minha vida em uma palavra: DESCOBERTAS. Estudos, trabalhos, baladas, namorados, amigos, curtir a vida... Muitooo... Tudo tem um pouco de novidade.
Já me formei, tive amores (que não deram certo), fiz mts amigos, curti minha adolescência, estou curtindo minha juventude, mas ainda tenho muito pra viver, né? Cresci, aprendi a lutar pelo que quero, estou correndo atrás dos meus sonhos, meus objetivos...
 Acredito que o mais importante seja APROVEITAR intensamente cada fase da vida. Não tenho pressa em crescer. Estou numa fase maravilhosa. O início da vida adulta... Sei que nem tudo são FLORES... Encarar responsabilidades, Ixiiii...os amores (a descoberta da vida sexual), o trabalho, o dinheiro, hehe, a consciência do que realmente é a vida, e como ela é BOA.
Os amores, por enquanto, são passageiros, mas cada um que passa por nossa vida, o pensamento é o mesmo: “Será que é ele?” Desilusões são normais nesta fase, são necessárias para o amadurecimento. Quem não aprende a sofrer agora, pode ser pior depois. Fase boa para crescer profissionalmente também. Estudar, estudar, estudar... Fico muito ansiosa para saber o que será do meu futuro. Casa, carro, casamento, filhos, netos, um AMOR de verdade... Alguém aí tem uma bola de cristal??? Rsrsrs. Mas prefiro ter calma... Uma coisa de cada vez!!! Ainda tenho muito chão pela frente.



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Luciana P. também é editora do blog Simplesmente Ariana; Ava também é uma das editoras do blog ...RM no Verbo e Kika também é uma das editoras do blog Um Amor para Recordar.