Cuide bem do seu amor? Não esqueça antes de cuidar de ti...

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Colocando o papo em dia com um amigo que eu não conversava há muito tempo, veio a pergunta: E esse coração, como está? Parado? Respondi que meu coração estava aberto para negociações, mas antes de entrar, o cara teria que passar por um estágio probatório. Meu amigo riu, sem entender direito essa minha fase Greg de ser (para quem não entendeu também, leia o texto Mulher nota dez? Tô fora, não quero ser isso não...). A fase Greg é aquela fase não-viajante que toda mulher passa depois de levar algumas cacetadas na cabeça (ou no coração). E como toda mulher cautelosa e inteligente (nisso as balzaquianas se dão bem), a mulher de 30 anos fará o futuro consorte (ou seria sem sorte?) passar por uma avaliação antes dele querer arrebatar-lhe o coração. E como seria esse estágio probatório?

Segundo o art. 20, da lei 8.112/90 (que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais), ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de 24 (vinte e quatro) meses, durante o qual a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo, observados os seguintes fatores: assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e responsabilidade.

Acho que poderia reduzir esse período para 3 meses (no mínimo, por esse prazo já dá para ter uma idéia do lugar onde eu for amarrar meu burro). A nota mínima de um estágio probatório é 65. Eu acho esse valor muito baixo para relacionamentos, mas também não podemos ser tão exigentes assim, então 80 seria uma boa nota mínima. Agora vamos aos fatores:

- Assiduidade: o cara tem que marcar presença, não pode ser daqueles que somem de repente, sem dar sinal de vida, e depois aparecem como se nada tivesse acontecido. Um cara que age assim costuma tratar a mulher como opção, para os momentos de solidão. E temos que dar prioridade para quem merece essa prioridade. Tem que ter reciprocidade.

- Disciplina: obediência às regras e aos superiores. Bom, nesse caso eu teria que adaptar, pois cara submisso ninguém merece. Mas quanto às regras, digo que o respeito é regra fundamental para qualquer tipo de relacionamento. Segundo o dicionário Houaiss, respeito é descrito como sentimento que leva alguém a tratar outrem ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência, consideração, reverência; estima ou consideração que se demonstra por alguém ou algo.

- Capacidade de iniciativa: esse é um fator importantíssimo. A gente avalia um possível relacionamento através do tipo de iniciativa do indivíduo - ou falta dela. Se o cara não te convida para sair, não te telefona, se só quer te ver quando está carente ou diz que não quer se envolver com ninguém no momento (ou seja – não quer se envolver contigo), é porque ele simplesmente não vale a pena (como diz meu amigo Greg).

- Produtividade: capacidade de produzir, rendimento. Sim, o indivíduo também tem que fazer o relacionamento render e produzir muitos, mas muitos sorrisos. Surpreender. Um mimo, um agrado, tipo oferecer-se para pagar a conta em um primeiro encontro, presentear do nada, coisas do gênero. Se a gente se doa, porque não podemos receber?

- Responsabilidade: o cara tem que se responsabilizar pelos seus atos. Exupéry dizia: você é eternamente responsável por aquilo que cativas. Nós mulheres gostamos das coisas bem claras. Se estiver saindo com mais alguém, deixe claro. Diga o que realmente espera de uma relação de uma forma que nós não tenhamos que interpretar. Por exemplo, dizer coisas do tipo não quero namorar ninguém no momento, ou estou passando por um momento difícil, pode ser interpretado como insegurança. E têm mulheres que adoram homem inseguro, adoram ser a salvação de alguém, acham que o cara vai mudar de idéia caso as conheçam melhor, pois assim vai perceber o quanto elas são legais, o quanto elas o valorizam e, então, viajam na maionese. O homem sempre diz a verdade, mas também tem que entender que nós mulheres precisamos que essa verdade seja muito bem enfatizada, para não sairmos de órbita.

Como podemos perceber, esses fatores servem para analisar qualquer tipo de "servidor nomeado". Os criadores da lei nem imaginam o quão úteis são esses fatores na vida de uma pessoa. Se alguém quiser incrementar a lista e tiver mais alguma sugestão, será bem-vinda.

Os homens tratam um possível relacionamento com mais cautela que as mulheres. Somos mais impetuosas, queremos que as coisas andem de maneira mais rápida. O homem é mais devagar, analisa todas as opções. Tenho um amigo que está saindo com duas mulheres, até ver qual vale a pena namorar. Saiu com uma em um dia, e com a outra no dia seguinte. E assim vai. Percebi que a gente não deve se empolgar com um encontro, pois estaremos sendo testadas – e o pior, comparadas. Mulher normalmente testa um cara por vez, seria estranho transar com um cara em um dia e com outro no dia seguinte. Mas tudo bem. As duas mulheres são lindíssimas, independentes, bom papo, mas ele se agradou mais de uma que de outra. O motivo? A que mais agradou é vaidosa, se valoriza, é mais requintada. Já a outra é mais desleixada com a aparência (lembrando, ele disse que as duas são lindíssimas), e ela também deve ser muito querida, daquelas que querem agradar mais o outro, não se preocupando muito em ser agradada. A diferença entre elas é que uma se dá valor e a outra não. O que quero dizer com isso? Nos damos valor quando nos cuidamos, nos tratamos bem e queremos ser bem tratadas, quando destacamos o que temos de mais bonito, cuidamos da alimentação, fazemos exercícios, cuidamos da mente e não só do corpo, tudo para nos melhorar, para nos sentir bem com a gente mesma. Se escondermos a nossa beleza, seja ela interior ou exterior, como os outros vão nos enxergar? Somos vitrine de nós mesmos. E merecemos sempre o melhor.

Tem aquele pensamento apócrifo do Mário Quintana, que circula na Internet: “Não corra atrás das borboletas; cuide do seu jardim e elas virão até você”. Valorize-se, não se contente com menos do que mereces. Caso contrário, só irá atrair lagartas e erva ruim.

E tu? Estás cuidando do teu jardim?

Paralamas do Sucesso - Cuide bem do seu amor

Curtas insanos: o sapato esfaqueado

Tem histórias que não podem deixar de serem contadas. Então quando algo inusitado acontecer ou alguém me contar uma história esdrúxula, vou postar aqui, para a energia do riso fluir. Bate papo no trabalho, e olha que lá a gente conversa sobre tudo, meu amigo Edu comentou que – um tempo atrás – a mãe dele emprestou (sem permissão) um sapato italiano dele, caríssimo, para uma amiga, pois o filho dela tinha um evento/festa (coisa do gênero) para ir e não tinha um sapato decente para a ocasião. A tal amiga recém tinha se separado. O novo ex-marido, quando foi na casa dela (talvez tentar uma reconciliação), ao ver o sapato do meu colega, pensou que fosse do amante e esfaqueou o sapato!!!! Fez picadinho dele. A mãe do Edu, sentindo-se culpada, quis dar um novo sapato para ele, mas o sapato era italiano, não era fácil achar um igual. E assim, Edu perdeu o sapato por ciúmes.

O dia em que me vi na televisão...

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Para quem leu o texto Tragicomédias? e ficou curioso sobre qual assunto escolhi para falar na frente da câmera, no meu curso de Comunicação, Expressão e Criatividade, digo que contei do meu assalto.

No dia da gravação, ficava só o aluno e o câmera no salão onde está o palco e os demais ficavam em outra sala, falando sobre o que acharam do curso, dando sugestões, dicas, o que gostaram e o que não gostaram. Minha vez de falar na frente da câmera (lembrando: conte uma história que comova o público – através de riso, choro, raiva, etc. em apenas três minutos). De tarde, tentei treinar a minha história no trabalho, contando para uma colega. Mas como o assalto ocorreu há três anos, já não contava esse fato com toda a empolgação que precisava. Como contei sentada, não causei emoção e minha colega não riu (embora me desse a maior força!). Tem certas histórias que têm que ser contadas em pé, melhor para fazer gestos. E achei difícil interpretar algo na frente de amigos. Quando deveria me sentir mais à vontade, fiquei com vergonha. Talvez por medo de um julgamento ruim, só sei que prefiro contar certos assuntos para estranhos. Bom, voltando à gravação, é muito estranho falar para o nada. Só eu e o câmera, então contei pra ele. Achei que faltou emoção. Mas ainda não tinha sido avaliada. Ele não riu. Talvez porque foi treinado para não rir, sabe como é, melhor evitar gafes. Terminei e ele me perguntou se era verdade o que contei. Disse que sim, o primeiro assalto a gente nunca esquece (e cá entre nós, da maneira como o aconteceu, realmente não se esquece tão cedo).

Voltei para a sala com os outros. Teve colegas que se emocionaram ao contar suas histórias. Outros contaram sobre algo que os impressionou. E assim foi, um por um, contar sua história na frente da câmera. Se expor é difícil. Se ver depois, pior ainda. Não deu tempo para todos assistirem a fita e a sessão ficou para a outra aula, que foi sexta passada.

E o grande dia chegou, minha vez de me ver. Posso dizer que me achei horrorosa no vídeo (o Zé alertou que a gente iria estranhar se ver na televisão, mas não pensei que fosse ser tão traumatizante assim). Meus olhos realmente são enormes, e tem horas que consigo arregalá-los a ponto de quase saltarem pra fora do rosto. Descobri que sou a Betty Boop dos pampas – com escova progressiva no cabelo, claro. Na pior das hipóteses, sou uma parente desgarrada da família Simpson, com aqueles olhos saltitantes. Gostei da minha voz, não pensei que ela tivesse aquele som. Achei que me saí bem, não falei com a empolgação do dia do assalto, mas teve emoção. Vi que sou engraçada, provoquei os risos esperados, e enquanto o pessoal ria, eu assistia em estado de choque a minha imagem na tela. Uma colega me disse: como tu fica bem o vídeo!, mas não me convenceu. Ainda tenho que me ver várias vezes para me acostumar comigo (só quem se viu sabe o que estou falando). Após o vídeo, veio o feedback. O Zé me disse que eu tenho uma capacidade de comunicação muito boa, falo bem e provoquei emoção. O meu problema era um cacoete nos olhos que tenho quando me empolgo em uma conversa, eu me expresso com os olhos (há quem diga que consigo me expressar com o corpo inteiro). Mas é controlável, o próprio Zé falou que tinha um também, e notou quando alguém deu o toque pra ele. Adoro quando me dão um toque. O brabo é controlar, acho que vou fazer zoinho sempre, assim não tem como arregalá-los.

Adorei o vídeo de alguns colegas. Teve uma colega que contou o fora que levou do namorado. Achei ela surpreendente, pois parecia tímida nas aulas e no vídeo falou muito bem, estava bem segura, convincente. Eu mesma estava quase dizendo pra ela mandar o dito cujo tomar naquele lugar. Ela colocou a raiva pra fora, e isso é bom. Teve outra colega que é toda emoção, ela conseguiu provocar risos e choros em todos nós, contou sobre a vida dela e o nascimento da filha. Emocionante. Um outro colega falou muito bem, sobre o julgar os outros, o respeito, e estava bem tranqüilo na tela, gostei da apresentação dele. Outra colega que emocionou e emocionou-se falou sobre o nascimento da sobrinha. Uma gravidez indesejada na família, situação complicada na adolescência de uma garota, mas que resultou em uma menina linda e muito amada por todos, há males que vem pra bem. As tragédias só são tragédias para quem não consegue ver o lado bom. Outra que adorei, se autodenominou raivosa na hora da filmagem, foi uma colega que parecia uma política falando na tela, reclamando do pessoal que defende as carroças nas ruas da capital. Conseguiu me convencer. Se ela se candidatar, eu voto nela! E teve uma colega que sempre achei muito segura, uma menina que fala super bem em público, e confessou que tem medo de não passar credibilidade. Nunca imaginei que se sentisse assim. Daí vem a questão da auto-estima, às vezes a gente não se percebe, não vê as próprias qualidades, analisa só os defeitos. Um velho rei às vezes tem que sentir orgulho de si mesmo, diz o ditado...

E assim foram todos se expressando, falando de sentimentos, contando suas histórias, desabafando, fazendo rir, se auto-analisando, se amando, se odiando, enfim, se expondo. Cada um mostrou o que é, o que acha de si. Todos, com suas expressividades e coragem de se expor, foram total emoção naquele dia. Comprei a fita. Quero guardar esse momento, essa energia. É muito bom, faz bem pra alma e cria cumplicidade. Quer coisa melhor que se sentir cúmplice de alguém ao se expor? E não era uma pessoa só, eram várias. A gente percebe que não está sozinho, que não é o único a ter medos e inseguranças, e que a gente está aqui para aprender e melhorar. Nunca é tarde para investir na gente mesmo. Entre andanças e erranças, aprendemos a nos ver como devemos ser vistos, e a nos valorizar. Todos nós temos um pouco do velho rei, basta saber enxergar...

Kid Abelha - Deus (Apareça na Televisão)

Fuck Friend: tu encararias?

Urban Dictionary

1. fuck friend
A friend you have casual sex with only for the purpose of having sex. Romantic feelings for one another are not present.

Mindy and Bob have sex together but only as friends.

Tradução:

1. fuck friend

Um amigo com quem você tem sexo casual apenas pelo propósito de ter sexo. Sentimentos românticos entre eles não estão presentes.

Mindy e Bob fazem sexo juntos mas apenas como amigos.

mãos dadas

Em um dos papos insanos com um amigo virtual, comentei com ele sobre uma entrevista com a Gabriela Duarte, que assisti no programa Mulheres Possíveis na GNT. Ela e a Ingrid Guimarães estavam relembrando os tempos de adolescência, namorados e coisa e tal, e a Gabriela falou sobre os fuck friends, aqueles amigos quebra-galho para àqueles dias de carência galopante. Adorei o termo, ria bastante e me surpreendi com ela, imaginava ela tão quietinha... Dias depois meu amigo me falou que comentou sobre o fuck friend para uma amiga que ele sempre pede conselhos. Disse que se sentiria culpado se agisse assim com uma menina, e a amiga conselheira falou que não tinha o porquê dele se sentir culpado caso um dia chegasse a este estado. O “esse estado” já deu para perceber o quanto a tal amiga era conservadora. Não tinha pensado na possibilidade de falar esse tipo de assunto com alguma pessoa conservadora, mas com o tempo aprendo que nem todos os assuntos devem ser falados para todas as pessoas (às vezes a contenção é necessária). Esse amigo, aliás, nunca mais falei com ele. Sumiu, talvez apavorado com meus papos modernos demais, com medo de um possível assédio sexual.

Voltando ao fuck friend, complicado esse tema. Não sei como seria ter um sem me apegar. Afinal, ele só serviria para enquanto o amor não vem. Frieza minha dizer isso? Pode ser, mas temos que ser realistas, muitos homens tratam desse assunto com essa frieza, por que nós mulheres não podemos também? O desejo é o mesmo. O papo de homem sentir mais necessidade de sexo que mulher é lenda urbana.

Acho que o fuck friend ideal não poderia ser amigo, e nem saber muito da nossa vida. Para não nos apegarmos. Se nos apegamos, estamos fritas! Para isso não devemos sair com ele muito seguido. Tem que ser lá de vez em quando. O cara tem que pensar da mesma maneira que tu, ter o mesmo propósito. Ou seja, sem paixão. E eu pergunto: sexo sem paixão é bom? Sexo é bom até ruim. Nunca fui do tipo: só transo se for com amor. Tem que ter tesão, senão não rola. No mínimo, tenho que me sentir muito atraída pelo cara. Tenho até uma tática para saber se é atração mesmo, caso alguém quiser usá-la: imagine o cara suado e nu. Se fizer cara de nojo, esqueça porque tu farás a mesma cara ao vivo e a cores! Lembrei agora de um amigo meu, que acha que mulher só quer saber de cara com dinheiro, ele disse que para a mulher saber se ela está interessada no cara ou na grana dele, é só imaginá-lo usando o uniforme do DMLU (limpeza urbana). Ainda prefiro a minha tática.

Mas nem tudo são flores, por isso o assunto é complicado. Fuck Friend só é bom na teoria. Nem o famoso Julian Kaye, personagem de Richard Gere em Gigolô Americano, conseguiu deixar de se apaixonar.

Tem aquele pensamento da Alice Ruiz: depois que um corpo comporta outro corpo, nenhum coração suporta o pouco. Bonito e verdadeiro. Um Richard Gere só é bom na imaginação...

Rita Lee - Amor e Sexo

Solte suas feras...

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Em uma conversa de botequim com meus amigos, veio o assunto sobre pessoas contidas. Lembrei imediatamente da frase do Roberto Freire em seu livro Ame e Dê Vexame: prefiro morrer de qualquer excesso a morrer de qualquer contenção. O livro é maravilhoso, só pelo nome já se pode ter uma idéia do assunto: Ame e Dê Vexame. Fala sobre a prática da liberdade com o amor, que é quando ficamos mais ridículos e menos contidos.

E como tem gente contida nessa vida! Pessoas que – com medo de parecerem ridículas – deixam de ser elas mesmas. Deixam de viver e se divertir. Algumas nascem contidas, outras se tornam. O se tornar contido é o menos perdoável, claro que tudo depende das experiências de cada um, mas se esconder da vida é uma punição a si próprio. Como se não merecesse certas liberdades saudáveis. Questão de auto-estima baixa. Baixíssima, por sinal. A estima enterrada a sete palmos do chão, para que ninguém se atreva a tirá-la do lugarzinho escondido em que se enfiou.

Conheci pessoas já em estado de contenção e outras que se tornaram contidas. Uma conhecida minha, na época da faculdade, tinha tanto medo de chamar atenção que, quando nos juntávamos para conversar às gargalhadas, ela arregalava os olhos, apavorada, e dizia: Gurias! Riem mais baixo, ta todo mundo olhando... Chegava a ser irritante ver o pavor dela.

Outras amigas se tornaram contidas. Essas são amigas mesmo. Uma delas começou a se conter quando estava se tornando uma balzaquiana. Notei isso quando disse para ela falar um mantra na virada do ano. Toda virada de ano faço o mantra criado pelo Gilson Chveid Oen, que sempre aparece no Fantástico. Pois salvei a página dele nos meus favoritos e é sagrada a visita todo final de ano para saber qual mantra abrirá o ano bom. Eu me empolgo tanto com o assunto que sempre aviso as minhas amigas e inimigas a fazerem o mesmo. Chega à meia-noite esperada e todas nós gritamos o mantra para abrir os caminhos e deixar o novo entrar. Perguntei para essa amiga se ela fez o mantra na entrada do ano, e ela me disse que os tios dela estavam lá e a achariam maluca se a vissem gritando, sem mais nem menos, uma frase nada a ver, então - para não ficar sem falar - aproveitou um momento em que não tinha ninguém por perto e falou o mantra baixinho, de modo que só ela escutasse. Ouvi calada o que ela me disse, sem entender direito a reação que ela teve para falar um simples mantra. Os tais tios eram de casa, não iriam interná-la caso ouvissem ela recitando o mantra, e ela ainda poderia dizer para eles fazerem o mesmo. Mas tudo bem, cada qual com sua contenção. Agora estamos, eu e outra amiga, a convencê-la a deixar o cabelo crescer, pois ela fica linda com cabelão. Ela disse que não, não tem mais idade para isso (eu sou mais velha que ela e estou lutando para deixar meu cabelo crescer). A outra amiga, indo na onda de não ter mais idade para certas coisas, envelheceu uns trinta anos a alma dela. Tanto que chegou a me convidar a visitar as famosas Termas do Gravatal, em Santa Catarina (lugar aonde o maior público são os maravilhosos velhinhos, vamos deixar o tal passeio para daqui a uns 30 anos). Fora outras situações que ela comenta sobre não ter mais idade para isso ou aquilo, ainda trago ela de volta do futuro. Eu amei quando fiz trinta anos, não me senti nem um pouco velha, pelo contrário, me senti fazendo parte do seriado Sex and the City.

No livro, Roberto Freire cita autores como Luis Fernando Veríssimo: Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo; e Arthur Rimbaud: Por educação eu perdi minha vida.

Eu não gosto de gente normal. Gosto de gente doida, gente que me mostre algo diferente, gente que não tem rotina consigo mesmo, gente original. Somos mais felizes sendo livres. No dia em que formos nós mesmos, sem nos preocuparmos com a opinião dos outros, vamos perceber que somos bem mais interessantes do que aquela pessoa que queremos parecer ser. Faça como a música, abra suas asas, solte suas feras e seja feliz!

Solteiríssima ou Casadíssima? Eis a questão...

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Dia dos namorados solteira e...dia de sofrimento para algumas mulheres. Tenho uma amiga que antigamente entrava em depressão quando esse dia chegava, era como se ela percebesse – somente no dia dos namorados – que não tinha ninguém para chamar de seu, como se ela fosse a única mulher sozinha nesta vida. Era assustador encontrá-la na rua e ouvir a resposta depois de um tudo bem contigo? Tudo bem por quê? Não sabe que dia é hoje? Eu ficava sem saber o que dizer. A impressão que tenho é que ela se auto-analisava, somente no lado negativo – para descobrir o porquê de tamanha punição. Hoje em dia não sei como ela encara essa situação, nunca mais me atrevi a perguntar como ela estava nesse dia, mas acho que o tempo se encarregou a ensiná-la a ver a vida com outros olhos.

O engraçado do dia dos namorados desse ano é que todos os programas e atrações falam sobre a mulher solteira. É como se ser solteira estivesse na moda, e sabe que eu acho que está? Nunca valorizaram tanto o estar solteira: best sellers, seriados de TV, filmes, etc...que fazem sucesso porque as solteiras (e não são poucas, daí o porquê disso tudo) se identificam, e como se identificam. Deixou de ser sem graça ser solteira. A tia solteirona de antigamente não existe mais. As mulheres estão mais independentes, mais decididas.

Na Casa de Cultura Mário Quintana tinha duas peças sobre mulheres solteiras: Como Agarrar um Marido antes dos 40 e Solteiríssima, uma mulher à caça de sua alma gêmea (escolhi essa última para assistir, fomos eu, a mãe e a tia Lena). É uma peça bem divertida, que fala sobre uma mulher que chegou aos 30 anos e ainda está sozinha. Estar solteira pra ela significava solidão. Ela se descreve na peça como uma solteirona coitada e comenta as várias tentativas frustradas de conseguir viver um grande amor. Quase desistiu de encontrar alguém, tamanha a canseira que dava em arranjar um namorado, já que nos dias de hoje a oferta é menor que a demanda. E aparecia cada um, que só estando em estado de desespero galopante, matando cachorro a psiu, para aceitar o talzinho... Dei boas risadas, valeu a pena assistir. Vai ter a continuação da peça, Casadíssima, em que ela constatará que estar casada não é aquela maravilha toda que ela pensava que fosse. Como tudo na vida, tem o lado bom e o ruim.

Chegando em casa, assistindo TV, um dos assuntos do programa Saia Justa era sobre mulheres solteiras. E a pergunta: você se namoraria? Uma disse que sim, outra disse que sim - mas com restrições, e outra disse que não se namoraria, pois era muito chata. Nem ela se agüentava.

Eu me namoraria, tenho minhas manias, mas me acho alguém interessante, não me rejeitaria por causa delas. Gosto de mim. Lembrei do curso de teatro que estou fazendo. No primeiro dia de aula, depois dos exercícios de aquecimento em que a gente fica parecendo uma maluca seja desenhando coisas imaginárias no ar, seja pulando feito pipoca ou se comunicando com os colegas através de mímica, a última tarefa da noite era subir ao palco (só tu iluminada) e apresentar uma pessoa maravilhosa: você mesma! Mas na terceira pessoa. E como é difícil falarmos bem da gente mesma. O que os outros vão pensar? Exposição total, todo mundo te ouvindo dizer o que tu pensa de ti. E uns sentem vergonha de falar bem de si: vou apresentar um cara legal, mas tímido, distraído, ansioso, indeciso... E disse o Zé: Espera, quando tu vai apresentar alguém, tu fala dos aspectos negativos dela? Ou fala das coisas boas? Por que justamente quando se trata de ti tu vai falar mal? Nunca devemos falar dos nossos defeitos. Temos uma imagem a zelar, vender nosso peixe, vender nossa imagem...embora às vezes seja irresistível falar mal.

Voltando à vida de solteira, gosto de ficar sozinha. Tenho situações em que preciso de um momento de introspecção, um tempo para mim, seja para pensar na vida, ler, escrever, fuçar na Internet, cuidar de mim. Também gosto de sair com meus amigos, rir bastante, conhecer gente nova. As pessoas ficam mais soltas quando estão solteiras, tudo é possível quando se está solteiro, não tem que dar satisfação para ninguém. Não senti falta de um namorado neste dia dos namorados. Estou bem comigo mesma, minha vida está tão atarefada, que não tive tempo para chorar as mágoas de estar sozinha.

Mas quero sim ter alguém, um companheiro para conversar, conhecer lugares interessantes, beijar, transar até não querer mais, beijar novamente, alguém em quem eu fique sonhando acordada e que me faça sentir borboletas no estômago. Mas se esse alguém não aparecer, não vou me matar por causa disso, sei viver sozinha. Tem gente que não consegue, e aceita viver com cada coisa horrorosa...sigo o ditado: antes só do que mal acompanhada. Não consigo me imaginar transando com um cara que não tenho atração só para dizer que tenho namorado. E o pior não seria transar, seria beijar. Acho o beijo tão íntimo, pois da boca a gente sente o gosto, o paladar. Se não gosta, vem o nojo...não gosto nem de imaginar!

Não sei como seria estar casada, a rotina me assusta. Eu entro na rotina comigo mesma e acho um horror, imagine uma rotina a dois! Acho que inventaria algo toda a semana para fugir dela. E na hora de dormir? Eu uso a cama toda, me atravesso nela, e olha que não tenho um metro e meio de altura. Para dormir junto todos os dias teria que ser em uma cama super big para eu dormir bem, sou uma pessoinha muito espaçosa. Fora se acostumar com as manias do outro: a toalha molhada em cima da cama, a roupa espalhada pelo chão, os peidos (sim, eles peidam), a fixação pelo futebol (nem todos, mas a maioria adora ver um monte de marmanjo correndo atrás de uma bola, e o pior, ver um monte de marmanjo se agarrando e se beijando quando fazem um gol), a louça suja na pia da cozinha, um janta e o outro toma café, etc. Digamos que é uma situação que só vivendo para saber como é. Rotina é ruim, mas o pior é a mudança, se adaptar! Mas lembrando: a gente se acostuma com tudo nessa vida.

O importante é estarmos bem com a gente mesma. Viver a vida com prazer, não se limitar, não se julgar e nem se culpar. Permitir-se. A vida assim é bem mais interessante, estando solteiríssíma ou casadíssima.

Ney Matogroso - Mesmo que seja eu

Tragicomédias?

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Exercício de teatro para sexta-feira: “Vocês vão fazer o exercício mais difícil do curso até agora”, disse Zé Adão, meu professor no curso de Comunicação, Expressão e Criatividade, no TEPA (Teatro Escola de Porto Alegre). “Terão que comover a platéia, seja com riso, raiva, choro... provocar alguma emoção, em apenas 3 minutos”. Seremos filmados para analisarmos nossos gestos e nossa maneira de falar, se ver na televisão.

Eu estava em dúvidas sobre qual curso fazer: Teatro para Iniciantes ou Comunicação, Expressão e Criatividade. Escolhi o segundo, só por causa da câmera. Sou exibicionista, não adianta. Pois o dia da câmera chegou e o que eu vou falar para comover? Sou mais de causar risos que choro, sempre analisei as “tragédias” da minha vida com um certo humor negro, tem coisas que são tão absurdas, que só rindo para não chorar.

Perguntei aos meus colegas de trabalho: o que falo? E eles começaram a rir, dizendo que eu nem deveria me preocupar com isso, era só eu contar as histórias de São Gabriel que comovo qualquer um. Dizem que sempre conto uma história impressionante. Não acho que conte algo incomum, que só acontece lá. A impressão que tenho às vezes é que algumas pessoas não têm história, ou têm e não sabem contar... Todo mundo já soube ou presenciou uma história trágica ou engraçada. Não sou diferente.

Histórias estranhas acontecem em qualquer lugar, não só em São Gabriel. Se bem que acontece muita coisa lá, ou com as pessoas de lá. Teve o caso do cara que – desfilando no 20 de setembro a cavalo, caiu no chão e o cavalo deu um coice no rosto dele que os dentes (junto com o céu da boca) caíram no chão, rasgando-lhe o rosto, um horror! Fiquei muito chocada quando soube, nunca pensei que uma coisa assim pudesse acontecer e a pessoa sobreviver (parece que o cara está legal agora). Essa é mesmo uma história impressionante, mas acho forte demais para contar para a platéia do meu curso...Teve a outra história de uma amiga que foi fazer um curso em Caxias do Sul, e não conhecendo muito bem a cidade, foi em um restaurante que parecia ser um lugar bem tranqüilo para almoçar. Sentada no canto da mesa, esperando o pedido, chamou-lhe a atenção um homem entrando esbaforido, que sentou em uma mesa de canto em um restaurante. Logo depois, entrou um homem com um paralelepípedo na mão, com os olhos já mirando o pobre homem encolhido. Ela, vendo aquele homem enorme indo em direção a sua vítima, saiu disparando do restaurante. Encontrou umas moças no caminho e já as alertou a não entrarem no restaurante, pois estava tendo uma briga lá. Elas só olharam para o restaurante, e viram o pobre homem sendo jogado porta afora e o gigante arrebentando-lhe a cabeça com o paralelepípedo. Essa também é trágica demais para eu contar... Mas alguma reação eu tenho que provocar na minha platéia.

Lembrei do meu primeiro (e último) assalto. Aconteceu há uns três anos. Esse todo mundo riu, posso dizer que é uma tragédia leve, pois quem se deu mal foram os ladrões. Então, pode ser uma alternativa de conto tragicômico...

Sou gaúcha de São Gabriel, região da Campanha do RS. Há quase cinco anos estou em Porto Alegre. Passei em um concurso público, fui chamada e, então, meu destino era a Capital. A Capital assombra um pouco o pessoal do interior, acham-na perigosa. Um tio meu pensa que há um assalto em cada esquina, e um dia me perguntou: “Mas tu sai do mercado com as sacolas na mão? Não tem medo de levarem todas as tuas compras?” Ele pensa que Porto Alegre vive em guerra... Logo, a maioria me aconselhava a me cuidar com os assaltos! “Segura bem bolsa quando andares na rua!”, dizia um. “Não segura tanto a bolsa, senão vão pensar que tu ta carregando muito dinheiro!”, dizia outro.

Chegando à Capital, o que mais me assombrou não foram os assaltos, não vi nenhum – para falar a verdade. Era a pressa das pessoas que me assustava, no interior o pessoal é mais lento, mais tranqüilo, aqui todo mundo anda com pressa, parecem o coelho da Alice no País das Maravilhas. Nas duas primeiras semanas eu fiquei com dores nas pernas, andava sempre correndo, para acompanhar as outras pessoas, é natural, não se consegue caminhar devagar por aqui. Morria de medo de ser atropelada, e na esquina da Jerônimo Coelho com a Marechal Deodoro, o movimento na hora em que volto para casa é sempre intenso. Uma vez encontrei uma cega perdida nessa esquina. Perguntei a ela se queria ajuda, ela aceitou. Então já fui alertando-a: “Olha, aqui tem duas sinaleiras, quando uma fecha, abre a outra. Então a gente tem que aproveitar o segundo em que troca a sinaleira para poder atravessar, vamos atravessar correndo, está bem? Eu te aviso quando chegar a hora”. Quando fechou o sinal, gritei: “Agora!!!!” Peguei a cega pelo braço e atravessei disparando a rua, só via a bengala dela voando. Quando cheguei na calçada, ela estava arfante, agradecida e apavorada. Acho que depois daquele dia nunca mais aceitou ajuda para atravessar a rua.

E assim fui me acostumando com a cidade grande, e agora não atravesso mais as ruas correndo. A gente se acostuma com tudo nessa vida. E nunca tinha sido assaltada, até que um dia...

Foi na parada de ônibus do Largo da Epatur, não tinha ninguém na parada. Só eu. E nada dos ônibus (C1 e C3). Até cheguei a pensar que os motoristas e cobradores deveriam ter entrado em greve, tamanha era a demora. Quando eu olho para os lados, vinham dois guris suspeitos. Fiquei receosa, mas o que poderia fazer? Atravessar a rua e ser atropelada naquela avenida movimentada ou sair correndo feito doida naquele estacionamento gigante, em céu aberto? Fiquei ali, parada. Seja o que Deus quiser, pensei. Os guris chegaram na parada e já foram me falando para passar a grana e o celular senão eles estourariam a minha cabeça. É estranha a sensação de ser assaltada. Parecia que não era comigo. Cheguei a pensar se estava sonhando. Mas olhei para eles e vi que não era brincadeira. Eles não tinham armas, pelo menos eu não estava vendo alguma. Mas não quis pagar para ver. Pensei: lá se vai meu celular...adorava meu celular. Um Motorola 120t. Ele não era colorido, não tirava fotos e nem tinha sons polifônicos. Mas ele sempre me avisava quando alguém estava de aniversário, me acordava de manhã e até gravava voz! Estava comigo há uns dois anos. Fiquei triste, ia me separar dele...Coloquei a mão na bolsa e entreguei o celular para o guri. E para minha surpresa, ele olhou para ele com um ar de desprezo e decepção, e disse: “Esse eu não quero. Pode guardar na bolsa de novo”. Meu Deus! O ladrão não quis meu celular!!! “Agora passa a grana”. Eu tinha que ir trabalhar, se desse todo meu dinheiro, como ia chegar ao trabalho? Então pedi, gentilmente, se poderia ficar nem que fosse com o dinheiro da passagem. Meio a contra a gosto ele aceitou. Era só um que falava, o outro quieto, vai ver era aprendiz de assaltante e aquele era o primeiro assalto da vida dele. Mas como eu sempre separava o dinheiro da passagem em um bolso do lado de fora da bolsa, peguei aquele dinheiro e entreguei ao guri, como se aqueles 7 reais fossem tudo o que eu tinha. E esperei novas ordens. O guri me olhou e disse para ver minha carteira. Nesse momento pára o T7 (um ônibus daqui), olhei pra eles e disse que sentia muito, mas tinha que ir trabalhar, pois estava atrasada. Saí correndo de um lado e os guris para outro. Entrei dentro daquele ônibus apavorada e perguntei ao motorista onde parava aquele ônibus. E expliquei minha situação. É que fui assaltada e estou fugindo dos ladrões! Lá estão eles!!!” (apontando para as criaturas). Todo ônibus olhou pra eles, as pessoas quase se espremiam nas janelinhas para ver os guris. Um senhor, gago, coitado, dizia que eu tinha que chamar a polícia, pois eles iriam atacar novamente. Mas eu já estava atrasada, alguém tinha que abrir o meu setor, meus colegas tinham dito que iriam se atrasar. Eu lido com o público, era eu que ia abria a porta! Expliquei que não seria possível, e o coitado insistia, nervoso e gago...O motorista parou em uma parada que não era a do ônibus, para me ajudar. Senão desviaria do meu caminho, pois eu não podia me atrasar! E o senhor gago desceu junto, tentando me convencer a chamar a polícia. Sem sucesso em me convencer, então chamou um táxi pra mim, e não sei o que ele fez depois, se foi atrás dos guris ladrões ou ficou ali mesmo. Cheguei no trabalho, contei pra todo mundo minha aventura e todos riram, dizendo que estava na hora de trocar de celular, pois esse, nem os ladrões quiseram!

Nunca mais peguei ônibus naquela parada. Como sempre pego os mesmos ônibus, conheço os motoristas e cobradores. Um deles estranhou eu estar em parada estranha: “Mudou de parada?” E eu: “Sim, fui assaltada naquela outra parada, agora pego nessa”.“E levaram muita coisa?” “Não, levaram 7 reais, meu celular não quiseram, ele não é colorido”. E o cobrador, meio que segurando o riso, me olhando com um ar compreensivo e consolador, disse: “Entendo”. Até o cobrador ria do meu assalto.

Troquei de celular um ano depois. Meu celular de agora tira fotos e filma, mas não tenho por ele o mesmo apreço que tinha pelo meu Motorola 120t, que deixou saudades, até mesmo pela experiência que vivemos juntos.

Sexta-feira meu curso aguarda as minhas histórias tragicômicas...Quem sabe até lá eu ache uma outra história para eu contar.

PS: Para quem leu o texto até o fim (pois sei que foi longo demais, não consegui reduzí-lo) e me achou uma jeca tatu quando cheguei à cidade grande, digo que me senti mesmo como uma. E quanto aos conselhos sobre assalto que recebi, digo que foram reais, e me surpreendeu as pessoas terem tanto medo de serem assaltadas.



Mulher nota dez? Tô fora, não quero ser isso nao...

insanas

Nunca gostei de livro de auto-ajuda, mas ultimamente os tenho visto com outros olhos. Gosto dos engraçados, debochados e que falam sobre comportamento feminino. Já me identifiquei várias vezes com algumas histórias, por isso eles estão me chamando tanto a atenção ultimamente.

Há alguns anos comprei o livro A Vida Sexual da Mulher Feia, da Cláudia Tajes. Achei a sinopse engraçada e resolvi comprar. Recém li. Tenho comprado tantos livros que não dá tempo de ler tudo. Mas alguns livros têm hora certa para serem lidos. Eu me identifiquei com várias situações no livro, situações passadas. O livro conta a história de uma mulher que se acha feia, e por se achar assim, se comporta como tal. “A mulher feia será sempre descrita como prestativa, simpática, confiável, boa-praça, ser humano exemplar e grande companheira”. Sim, eu passo essa imagem. Ou passava, não sei, estou mudando. Uma vez, em um papo de botequim, um amigo me disse que eu passava a imagem de boa moça, de “gente boa!”. “Tu tens jeito de ser fiel àquele momento, àquela pessoa”, disse ele... o que qualquer pessoa adoraria ouvir, eu detestei. Falei pra ele que tinha que mudar essa imagem de mocinha de novela. Eu sempre detestei as mocinhas de novela, parecem tão insossas. As vilãs são mais decididas, mais autênticas. As mocinhas de novela se comportam como uma mulher feia. Um outro amigo, quando conheci, descreveu todas as mulheres que estavam na mesa do bar, e quando chegou a minha vez ele disse: ‘tu és a querida!’. Até o orkut me descreve como querida, olha só: “Sorte de hoje: Você é sociável e divertido”. Aff... Outra da mulher feia (parte que também me identifiquei) sobre o fim de um namoro: “... quando tudo terminou, de todos fiquei amiga. Como só uma mulher feia seria capaz”. Sim, outra parte que me vi, a amiga querida dos ex-namorados. Teve um ex que sempre que eu falava com ele, ou mandava mensagens - porque só uma mulher feia é capaz de mandar mensagens amigáveis para um ex que nem está mais afim - ele respondia: “Dani, tu és dez!” Sempre a mesma resposta, acho que viciou no elogio, coitado. Como me achei sem graça ser dez! O livro pode ser considerado de auto-ajuda, até para dar um toque nas mulheres que agem assim, para que possam refletir sobre si mesmas.

Ainda nos livros de auto-ajuda, uma amiga me disse, uns meses atrás, que tinha comprado o livro Ele Simplesmente Não Está Afim de Você, de Greg Behrendt & Liz Tuccillo, os roteiristas da série Sex and the City. Falei pra ela que jamais leria um livro desses, mas ela falou tanto do livro que tive que ler, e agora Greg é o meu guru. Os comentários da tal Liz achei sem graça, agora os do Greg... Ele é uma espécie de Gasparetto americano com seus conselhos ‘tapa na cara’, que fala a verdade doa a quem doer. Recomendo como livro de cabeceira das mulheres solteiras e insanas, que se interessam por homens mais insanos ainda. O termo insana, para quem não entende o porquê da expressão, surgiu em um papo de MSN com uma amiga, quando nos descrevíamos insanas ao agir como uma espécie de Glenn Close da Internet, e ríamos às gargalhadas de um emoticon de uma mulher enlouquecida gritando e sacudindo a cabeça. Alguém lembra do filme Atração Fatal? Pois bem, a Alex Forrest, personagem da Glenn, era uma mulher insana. Hoje em dia qualquer uma se transforma em uma Alex com tantas disponibilidades de investigação ao nosso alcance. E piramos. De verdade. Pois amei o Greg, ele nos transporta para o mundo real, porque mulher fantasia, viaja na maionese... E como viaja... (se bem que alguns homens colaboram e até dão a passagem pra gente visitar o maravilhoso mundo da maionese). Então Greg vai lá e traz a mulherada viajante de volta para a casinha. O conselho que mais gostei, amei mesmo, foi este: “Você já tem um cu. Não precisa de outro”. É bom sempre lembrar desse conselho, para caso encontrarmos um cu perdido pelo caminho. Desculpe o palavrão, mas não resisti dizer isso. Confesso que é o meu palavrão favorito, adoro mandar tomar no ‘dito cujo’ quando me irrito com alguém, relaxa tanto. Tem até aquele vídeo no you tube, daquela mulher cantando vai tomar no cu... Considero aquela música um mantra, e olha que funciona, tu canta e a pessoa realmente toma no...

Posso dizer agora que estou vivendo em uma fase Greg, depois de ter passado vários anos em uma fase Mulher Feia. E nunca estive melhor!

Outro livro sobre o comportamento feminino que adoro, e comprei todos da série, é o Mulheres Alteradas, uma leitura mais leve ainda, são charges da cartunista portenha Maitena, divertidíssima, não é um livro de auto-ajuda, mas fala de todo tipo de mulher, esteja ela vivendo em qualquer fase. O livro é todo em quadrinhos, e provoca muita risada. Vale a pena ler.

Bom, por hoje é só. Acho que até falei demais...como toda mulher insana seria capaz de falar.



...que vejo flores em você



Estou aqui, na frente do computador, pensando sobre que assunto escrever...ao mesmo tempo escuto Flores em Você, com Ira! A letra da música é interessante: “... e se alguém me faz dizer que vejo flores em você”, “... quero viver meu presente e lembrar tudo depois”.

Estou numa fase de viver meu presente. Acho que nunca pensei tanto em mim como agora, e me surpreendo comigo mesma, com algumas atitudes que até então nem imaginava ter. E estou adorando! Como é bom ser eu mesma, como é bom ser livre e dizer o que penso sem medo da opinião dos outros. A gente fica leve, e essa leveza transparece no rosto, estou me gostando mais, por inteira...

Não sei se é aquela história de a gente atrair aquilo que transmite, mas o engraçado é como tem gente buscando o autoconhecimento. Estou lendo agora o livro da Maitê Proença, Uma Vida Inventada, onde ela fala dela e desse processo de se autoconhecer. Adorei a frase dela: “quando tiver me livrado de mim, talvez eu consiga escrever sobre o não-mim que há em mim e por toda parte”. O não-mim é o que menos importa pra mim no momento...

Ontem, na minha aula de teatro, uma colega fez um monólogo de como o teatro estava ensinando ela a se conhecer. Até livro ela estava escrevendo, uma tese do brincar, que é brincando que a gente se descobre, nisso o teatro a estava ajudando muito. Concordo que o teatro ajuda a gente a se descobrir, achei o máximo o palco, os exercícios de improvisação que obrigam a gente a ter alguma atitude colocam pra fora um Eu que até então estava escondido. Os tímidos saem da toca, os decididos se auto-afirmam. Teatro é a terapia praticada. Minha terapeuta bateu palmas quando eu disse que ia fazer teatro. Até os Orixás aplaudiram, quando fui consultar os búzios e perguntei (dentre tantas dúvidas): “o que os búzios me aconselham: teatro ou biblioteconomia?” (nada a ver uma coisa com a outra, mas sou assim, totalmente nada a ver). Eu queria me apaixonar por alguma coisa, preciso estar apaixonada, gastar energia com alguém ou alguma coisa. Mas enquanto o alguém não vem... O mais engraçado em mim, e o que irrita muitas pessoas, é que peço conselhos, mas não quer dizer que vou seguí-los. Sempre sei o que quero, mas gosto de ouvir a opinião dos outros. Se não sigo, alguns se ofendem...paciência. Tanto os búzios como minha terapeuta me aconselharam o teatro, que ele seria ótimo pra mim. E minha terapeuta ainda acrescentou: “Biblioteconomia? Nada a ver contigo, vai querer parecer como uma velha caquética escondida no meio de tantos livros???” E sabe que eles tinham razão?! Apesar de eu ter como um dos sonhos uma biblioteca própria, a idéia de viver em uma, escondida no meio de tanta traça, não me agradou nem um pouco. Ainda mais nessa fase de me abrir para o novo! Claro que a biblioteconomia tem outras áreas, mas quando pensei nisso estava me imaginando em uma biblioteca mesmo. Pretendo continuar fazendo teatro, para colocar meu Eu pra fora. E digo mais, aconselho teatro aos que se escondem do mundo e de si mesmos, e aos que têm medo do mundo real. Se abram para a vida! Saiam da rotina! A vida vai se tornar bem mais interessante, podem ter certeza.

Agora a música mudou: Malandragem, com a Cássia Eller...mas isso é papo para outro dia.

Porto Alegre, 08 de junho de 2008. (1h13min)


Ira - Flores Em Você