O universo dos ônibus nos traz acontecimentos – no mínimo – interessantes. Eis três fatos que ocorreram neste meio de transporte que tem muita história para contar:
- Gislaine trabalhava em uma imobiliária, era secretária. Oito horas diárias, de vez em quando fazia hora extra, era cansativo e, no final da tarde, ela já não via a hora de chegar em casa. No caminho, Gislaine costumava viajar nos seus pensamentos enquanto olhava a paisagem através da janela do ônibus. No horário em que ela costumava pegar o ônibus sempre tinha muitos lugares para sentar, dificilmente estava lotado. Todos os dias da semana eram iguais para ela, da casa para o trabalho e do trabalho para casa. Mas naquela segunda-feira de 2004, após feriadão de Páscoa, Gislaine voltava do trabalho, com aquele olhar perdido de sempre, quando foi trazida de volta ao mundo real por uma mulher, que entrou correndo no ônibus e acertou-lhe um soco no rosto, na bochecha direita. A maluca insana, assim como entrou no ônibus, saiu. Gislaine, em uma crise de choro pela agressão sofrida, perguntou ao cobrador o que tinha acontecido. Na maior calma do mundo, como se o que tinha acontecido fosse aceitável e normal, respondeu-lhe: Ela sempre faz isso, entra correndo ônibus adentro e agride a primeira pessoa que vê pela frente. Depois vai embora. Gislaine ficou ali, sentada, chorando, até chegar à parada de destino.
- Larry era um cara bem apessoado. Não era aquele tipo de homem que chama a atenção das mulheres ao entrar em um lugar, mas tinha charme, um bom papo e era divertido. Em uma das voltas para casa, pegou o ônibus de costume e, ao lado dele, sentou-se uma senhora de mais ou menos setenta anos e muito falante. Quando Larry estava quase chegando a casa, faltavam apenas algumas quadras, a senhora o olha - bem séria - e lhe diz, com uma naturalidade impressionante: Eu gostei de ti, o achei interessante. Quer ir comigo, lá em casa, para nos conhecermos melhor? Se é que tu me entendes... Eu lhe dou R$ 50,00! Larry, sem entender direito o que estava acontecendo (nestas horas, como se em estado de choque, a gente sempre tem a impressão que não é com a gente) agradeceu ao convite, mas teria que recusar, pois não fazia aquele tipo de serviço. A senhora pareceu ficar desapontada. Larry desceu do ônibus, um tanto decepcionado com a proposta de uma senhora que poderia ser a avó dele. Ao chegar a casa, se olhou bem no espelho, como se estivesse se olhando pela primeira vez, tentando entender o que levou àquela doce e frágil senhora confundi-lo com um prostituto...
- Michele, estudante de Administração, conseguiu o seu primeiro estágio em uma empresa de grande porte. Estava feliz, trabalhava meio turno e tinha tempo para estudar e fazer outras coisas. Em uma das idas ao novo trabalho, ao pegar o ônibus, sentou-se no banco detrás do banco em que duas senhoras estavam sentadas, e elas falavam sem parar. Não teve como não prestar atenção no que elas diziam, a tristeza da voz da senhora mais falante lhe chamava atenção. Ela desabafava com a amiga sobre o divórcio da filha: Coitada da minha filha, ela é muito jovem para enfrentar uma separação, ainda mais agora, grávida. O marido foi embora de casa dizendo que tem outra, que está apaixonado. Nunca mais ligou, não atende aos telefonemas dela, uma tristeza! E a pobrezinha fica lá, chorando pelos cantos. Ela ficou tão traumatizada, mas tão traumatizada com o que aconteceu, que quase teve um traumatismo craniano. É brinquedo, não! Michele não sabia se ria ou se chorava com o que tinha acabado de ouvir, mas sentiu pena da moça.
Assim como Gislaine, Larry e Michele, tu também deves ter tido uma história incomum que ocorreu em um ônibus para nos contar. Solte o verbo e desabafe, afinal, ninguém está livre de certos acontecimentos.





10 comentários:
Olha, tomara que eu não dê azar como a Gislaine... confesso que eu sairia correndo atrás dela, amenos que eu estivesse de salto, aí só poderia sentar e chorar, como ela fez.
Adorei a três histórias...
Você tem razão: estemeio de transporte tem muita história pracontar.
Beijos, Dani!
hahahahahha
Se eu te contar as minhas histórias... hahahahahaha
Prepare que sai um livro.
Adorei os textos.
bjs
A do Michel fez-me lembrar uma empregada minha, que um dia me disse que tinha sistema nervoso e eu respondi-lhe "também eu", ela cheia de piedade de mim disse "coitada é tão novinha"
Abraços
Lu, quando não são as paradas de ônibus, são os próprios, pelo menos alguma vantagem temos que ter por andarmos neles: histórias engraçadas para contar! A Gislaine é uma amiga, ela me contou que isso aconteceu em um ônibus que eu costumava pegar, ou seja, estava me alertando para caso eu encontrasse a doida... Beijos.
Maha, fiquei curiosa, aguardo um post a respeito! Beijos e se cuida.
Emília, diga a ela que também tenho sistema nervoso! Ela vai se apavorar com tanta gente com este "problema". Beijos.
em onibus "cheio" existem muito mais historias que a imaginação
pode pensar.
Tenha uma bela semana.
Maurizio
Dani, lembrei na hora do filme A dama do lotação, que por falar em aniversários, foi trucidado aqui pelos censores na época da ditadura. E embora era um filme de apelo sexual, tinha uma história interessante por trás...
Quando eu era adolescente, gostava de sentar nos primeiros bancos e olhar distraidamente para o banco dos fundos, tentando caçar as moças de minisaias. Mas era muito introvertido para iniciar uma conversa com alguém...
beijos
Dani,
Gostei da historia da Gislaine,ops,me indignei também,rs,mas a vida é assim mesmo,prega peças das mais variadas.
Beijos,amiga.
Daniela, o blog hoje está cheio de novidades. Passe por lá.
Abracos
Que conto legal sabe sou um leitor cumpulsivo leio de tudo e gosto muito de contos temho varios livros alguns de terror,parabéns.
Putz, no primeiro conto foi uma situação além da imaginação...
No segund conto, dei muita rizada.
No terceiro conto, será que a mulher ficou tão deseperada que bate a própria cabeça (preferia que ela fizesse isso com o safado marido, hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo de verdade e maldade)?!
Fique com Deus, menina Daniela.
Um abraço.
Postar um comentário