Você perdoaria uma traição?

traição
Trair é uma palavra forte, lembra atraiçoar, apunhalar pelas costas, ser desleal, e nem sempre ser infiel tem este significado. Não podemos colocar toda a culpa no outro, pois uma relação para ser perfeita depende dos dois. O desgaste, a falta de paixão, a incompatibilidade sexual e a rotina são algumas das causas para que se pule a cerca, sinal de que alguma coisa não vai bem no casamento ou namoro. Até que ponto cada parte é culpada não podemos dizer com certeza, mas o perdão depende principalmente da maneira como se encara a infidelidade.
O homem e a mulher têm uma visão diferente do sexo, assim como da traição. Para a mulher, é mais fácil perdoar uma pulada de cerca se o homem não está envolvido emocionalmente. O importante é ela se sentir especial, de modo que nenhuma outra mulher abale a relação. Para o homem, uma mulher fazer sexo casual com outro é bem mais difícil de perdoar, pois mexe com o ego masculino e a virilidade. O homem quer ser o que proporciona maior prazer, o mais atraente, o bam bam bam. Saber que a própria mulher está transando com outro só o fará pensar que ele não é tão bom quanto pensava, então, ele se sente reprovado na matéria de satisfazê-la, sem perceber que a causa pode nem ser sexual, mas alguma atitude ou indiferença dele.
É difícil perdoar, porque se perde a confiança. Se a traição for com alguém conhecido, como uma amiga ou parenta - por exemplo, é bem pior. Danuza Leão, em seu livro Na Sala com Danuza, em relação à traição de marido com amiga, aconselha: “Se você descobriu – sem sombra de dúvida – que sua amiga e confidente se fez de mais do que engraçadinha para o seu marido – em alguns casos vale também para o ex-marido -, corte direto, sem perdão. Já que você não pode matá-la, o que seria o ideal, rompa, ignore-a, nunca mais cumprimente. Há certos crimes que não prescrevem – e traição de amiga é uma delas. De marido é menos grave, acredite. Até porque eles acabam contando.” Algumas mulheres interpretam o fato do marido contar sobre uma traição como tentativa dele de manter o laço de confiança, mostrando-se arrependido. Mas em alguns casos, o marido quer mesmo que a mulher o mande embora, pois assim se sentem menos culpados por saírem de casa por conta própria.
frida Quando alguém descobre que foi traído, a frase que mais lhe passa pela mente é Onde foi que eu errei?. Tentar entender as causas da traição, o que fez o parceiro se interessar por outra pessoa, qual a parcela de culpa que lhe cabe, se perdoa ou não, são dúvidas que tomam conta da pessoa. Mas as respostas a estes questionamentos nem sempre são iguais a todos, não existe causa certa para suprir tais dúvidas. Há casos e casos. Alguns homens têm natureza infiel, não conseguem ser monogâmicos, por mais linda e maravilhosa que a mulher seja, eles traem. Diego Rivera é um exemplo. Frida Kahlo, artista plástica mexicana, suportou as traições de Diego por anos, talvez por dependência emocional ou medo de ficar sozinha. Dizia não dar importância, desde que ele fosse leal. Mas em uma de suas cartas a Diego, publicada no livro Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo, de Martha Zamora, ela desabafa: “Acho que o que está acontecendo é que sou meio estúpida e uma tola, porque todas essas coisas aconteceram e se repetiram nos sete anos que vivemos juntos. Toda esta raiva simplesmente me fez compreender melhor que eu o amo mais do que minha própria pele, e que, embora você não me ame tanto assim, pelo menos me ama um pouquinho – não é? Se isto não for verdade, sempre terei a esperança de que possa ser, e isto me basta...” Quando Diego a traiu com a irmã dela, ele foi desleal. A irmã não era uma estranha, era alguém que ela gostava muito. Na raiva, Frida cortou os cabelos, deixou-os bem curtos, e expôs a dor sentida em uma de suas telas. Passados alguns anos, ela se reconciliou com o marido e fez as pazes com a irmã, ambos cuidaram dela até a sua morte. Muitas agem como Frida, para elas basta pensar que o parceiro as ama nem que seja um pouquinho. Amam mais a ele do que a elas próprias, são as chamadas “mulheres que amam demais” (ou que se amam de menos).
O lado da amante também não é nada fácil, apesar de brincarem ao dizer que é melhor ser amante que esposa, pois a amante só fica com o lado bom, a maioria sonha em se tornar a matriz. Festas de final de ano, de aniversário, passear de mãos dadas em locais públicos nunca farão parte da rotina da amante. Passará o dia dos namorados solitária, se empanturrando de chocolates. Para as que adoram presentear, perda de tempo, como ele explicaria para mulher o presente? Fora as viagens que ele sempre realizará com a esposa. A amante sempre será vista como solitária pelos amigos, e muitas se anulam pelo homem, esperando o dia em que ele deixará a esposa para ficar com elas. Em alguns casos, quando este dia chega, não é por causa delas, e sim porque a esposa não aguentou, não quis mais. Na maioria das vezes a mulher é quem pede a separação, o homem toma esta iniciativa se realmente está apaixonado pela outra.
Roberto Freire definiu bem a complexidade do relacionamento bígamo em seu livro Sem Tesão Não Há Solução: “O problema maior que sempre necessitamos enfrentar nessas experiências é o ciúme. Costumo dizer que toda vez que vamos viver um triângulo amoroso, esse triangulo acaba nunca sendo equilátero e azar de quem fica com o ângulo menor, pois vai morrer de ciúmes, atrapalhando a dinâmica da triangulação.” Sempre haverá alguém que se sentirá recebendo menos do que merece. Somos possessivos por natureza, egoístas no amor e queremos ser exclusivos. Difícil saber como agir quando sabemos da traição. Tapar o sol com a peneira não é aconselhável e nem sadio para a relação. Ignorar ou fingir que perdoou, para na primeira briga cobrar do outro a traição, só irá desgastar ainda mais a relação. Não é algo fácil para se resolver, vai depender de muitos fatores: o tipo de relação, a convivência e experiências que passaram juntos. É necessário os casais dialogarem, discutirem quando foi que o relacionamento parou de dar certo. Mexer na ferida dói, dá medo! Tem casais que não se abrem, criam uma barreira – a mesma responsável pela traição -, e têm medo de conversar. Deixar para conversar em uma outra hora, ir empurrando com a barriga, só vai fazer piorar as coisas, e quando a tal conversa finalmente acontecer, talvez seja tarde demais para recuperar o relacionamento.



13 insanidades:

Thais Aux disse...

Assunto delicadíssimo, mas que nunca sai de moda, né? Acontece o tempo todo. Eu, sinceramente, não sei se perdoaria uma traição, não. Eu já traí, há muito tempo, e percebi que deveria eu mesma ter cortado o relacionamento. O meu ex sofreu muito com isso. Não traio mais. E sou muito ciumenta. Se eu for traída, muito dificilmente perdoarei. Eu não traio, pô! É sacanagem, né?

Bjs!

Daniel Savio disse...

Meio complexo, pois para trair tem de ter confiança, e aqueles relacionamentos que não tem confiança?

Não para trair algo que não existe.

Mas traição em si é ruim...

Fiquem com Deus, sete meninas.
Um abraço.

Susana disse...

Olá Daniela!
Estou a passar por aqui para vos dizer que tenho um selo para vocês no meu cantinho:(www.clubedasmulheresbeiras.blogspot.com).
Quando quiseres, podes passar por lá para o recolher.
Uma Páscoa Feliz!
Susana

ivandro disse...

SIM TODOS ERRAMOS E MERECEMOS UMA SEGUNDA CHANCE A VIDA É UM CONSTANTE APRIMORAMENTO DE NOSSAS FALHAS.

Luciana disse...

Muito proveitoso o seu texto. Gostei muito dos exemplos, especialmente das cartas de Frida. Acredito que a traição acontece por "n" razões. Seja traição feminina ou masculina, quando ocorre é porque deve haver um motivo: não seria apenas o trair por trair.
O maior erro é culpar o outro pela traição, pois ninguém pode ser responsabilizado pelas atitudes de um.
Um relacionamento caminha bem se não houver essa necessidade de olhar pro lado, tentando enxergar um outro horizonte.
Também concordo com o Freire na questão do triângulo amoroso: é praticamente impossível que dê certo.

Beijos, dani!
Parabéns pelo texto e pelo tema

castrodigital.com.br disse...

Eu não perdoei (já fui traído) e nunca perdoaria, caso aconteça de novo. Diz-se que levamos uma eternidado para ganhar a confiança de alguém, mas podemos perdê-la em questão de segundos.

ju disse...

No princípio não era o verbo. Era o faro, o cheiro de sexo exalado através da pele, (os tais feromônios?), e, minha nega, ninguém era de ninguém! Aí... o homem evoluiu (?), vieram os problemas que hoje denominamos lindamente de econômico-sociais e descobriu-se que era preciso organizar a bagunça e, para tanto, nada melhor incentivar a monogamia e coisa e tal...

Daí, Dani, que eu acredito que trair, coçar e perdoar... é só começar.

Há em nós alguma coisa instintiva, animal, primitiva, da qual - perdoem os(as)puristas - séculos e séculos depois não conseguimos nos libertar.

Quando isso que chamam de traição ocorre é preciso avaliar bem esse conceito.

Supervalorizamos o contato físico. Quase ninguém se separa quando a traição está na mente, no desejo, na alma. Mas se houve sexo... Danou-se!

Em verdade, as pessoas preocupam-se muito mais com "o que os outros vão dizer quando souberem que estou sendo traído(a)?!"

Nada, absolutamente nada, nem mesmo o contato sexual fora da relação, é maior do que o sentimento. E não é. Bem... é só a opinião de quem já traiu e já foi traída. É preciso saber separar, (traição de sentimento), e não separar-se.

Bjs, querida Dani, adorei o post!

Uma boa Páscoa pra você e para os seus familiares!

Juan Trasmonte disse...

Eu já trai e fui traído, imagino que como quase todos que já tem vários amores nas costas.
Mas um dia me senti tão mal que resolvi que não iria fazer isso nunca mais. E se bem o nunca mais é relativo. Não voltei a trair ninguém. Prefiro conversar com minha companheira se o desejo pintar (o desejo mesmo). E se não tem volta, parar por aí.
A palavra trair é forte pra mim, em todos os sentidos lingüísticos dela. O problema pra mim é a quebra da confiança entre duas pessoas. Quando esse contrato invisível é quebrado acho muito difícil reparar, embora meu lado políticamente correto pense o contrário.
Beijos, companheira

Daniela Figueiredo disse...

Thaís: eu também sou muito ciumenta, possessiva. Acho a infidelidade compreensível, a paixão não dura a vida toda, mas como dói saber que foi traída, isso gera insegurança e a autoestima cai, soterrada no chão. Beijos e obrigada pelo comentário.

Daniel: sim, tem os chamados "relacionamentos abertos", mas há um trato, aberto para desconhecidos. Quando há quebra deste trato, vira traição. Beijos.

Susana: obrigada pelo selo! Beijos.

Ivandro: na teoria, sempre há perdão. Beijos.

Lu, obrigada. Adoro Frida Kahlo e Roberto Freire, este - aliás - é um gênio. Acredito que ninguém traia por trair, como disse a Emília, não damos lugar a outro na relação se ela nos satisfaz. Não existem culpados, pois é natural o desgaste. O triângulo é uma relação complicada para os três, há cobranças e mágoas, difícil conseguirmos nos dividir por igual. Beijos, amiga.

Castro Digital: belo ditado, e verdadeiro. Para reconstruir a confiança leva muito tempo! Beijos.

Ju: como eu falei para a Thaís, acho naturalmente compreensível sentirmos desejos por outras pessoas, assim como o parceiro. Mas dói saber dela. Falaste uma coisa certa: saber separar sentimento de desejo. Beijos, amiga! Saudades tuas!

Juan: a quebra deste contrato invisível é a quebra da lealdade que Frida Kahlo sentiu. Penso como tu, meu lado politicamente correto pensa com o teu! Beijos, companheiro!

Luciana disse...

Oi, Dani, adorei a sua rima no comentário do blog.
Embora nenhuma de nós duas tenhamos veia poética, já que estamos mais para a prosa, acho que você se saiu muito bem.
Isso mostra que quem tem talento para as letras, tem e pronto.

Beijos,

Ótimo sábado pra você!

Lu

José disse...

Olá,

É um assunto complicado e embora todos tenhamos uma ideia do que possívelmente fariamos mediante tal situação, tudo depende de vários factores e eventualmente poderiamos perdoar num dia e no outro não.
Não há certezas absolutas.
Acho que a maior dúvida é se a pessoa que nos traiu, o fez porque teve uma "recaída" e não resistiu, our se o fez porque gosta de alguém.
Depois para os homens (em particular) é claro que vem a clássica pergunta : "será que não a satisfaço?", ou algo assim do género. A mulher pode questionar o mesmo, mas sabem como nós somos :-)
Bem, há uma frase que diz : quem ama perdoa.
Mas quem ama também merece ser respeitado.
Enfim, tudo isto para dizer : não sei.
Já devia era de estar a dormir...

Boa noite,

José

Anônimo disse...

Boa Noite...delicadíssimo o assunto...

traí minha esposa e ela soube essa semana...e o meu motivo foi puramente falta de dialogo para contornar a situação...e lhes garanto que se ela quisesse me ouvir, entender a parcela de culpa de cada um, e me perdoar, seria a melhor coisa do mundo. Talvez esse fato faça com que venhamos a quebrar alguns paradigmas que ainda nao conseguimos, tenhamos a abertura necessária para que isso jamais aconteça entre nós novamente e sejamos muito mais felizes do que fomos até hoje....e assumo...a maior bobagem que já fiz!

Daniela Figueiredo disse...

Lu,obrigada!

José, essa é uma situação que só vivendo para saber. Não acho que quem trai não ame o parceiro, mas é sinal de que algo não vai bem. Sobre ser respeitado, deveríamos nos perguntar quando deixamos de respeitar um ao outro, com palavras, atitudes que. podem ou não, levar o outr a trair. É um assunto complicadíssimo!

Anônimo. Obrigada pelo comentário. Para quem é traído (ainda acho esta palavra forte, apesar de nos sentirmos assim quando ocorre conosco), a dor é forte. Mexe com a autoestima. É muito complicado entender que algo está errado, que fracassou. Onde foi que erramos, quando deixamos de ser especial, quando tudo mudou? Admitir que colaboramos com o fracasso é frustrante. E tanto o "traidor" quanto a "vítima" são responsáveis pelo que acontece na própria vida. Dói, remete a uma reflexão sobre si mesmo, e a confiança vai por ralo abaixo. O alicerce da confiança desabou, e conquistá-la novamente, leva tempo. Perdoar ou não perdoar, continuar juntos ou não, depende da forma como a pessoa vê uma relação e a ela mesma.

Beijos pra vocês.