O dia de Santo Antônio passou, sem nenhuma novidade. Lembro que, na minha adolescência, esta era a época de simpatias e adivinhações, verdadeiro furor para saber com quem iríamos nos casar. E tinham várias:
- Acender uma vela e pingar a cera derretida em um copo d’água, onde formaria a letra inicial do futuro amado;
- Cravar uma faca bem na metade de uma laranja, ou em um pé de bananeira, e deixá-la descansando no sereno da noite que, ao amanhecer, estaria – na faca – gravada a inicial do futuro marido;
- Outra, era ficar nua na frente do espelho, à meia-noite, que apareceria a imagem do talzinho refletida nele. Os mais velhos diziam que, ao invés do marido, apareceria a imagem do “demo”. A ideia de saber que a filha estaria de uma forma nada convencional na frente do espelho, e tão tarde da noite (para quem dorme com as galinhas), não era nada confortável.
Mas nenhuma história de simpatias me surpreendeu tanto quanto a que minha amiga Francisca me contou:
Clarice tinha doze anos quando fez a simpatia ensinada pela avó. Na véspera de Santo Antônio, tudo o que ela comesse ou bebesse, teria que guardar uma parte para o santo. Se bebesse água, o restinho tinha que ficar no copo. No almoço, era a mesma coisa, um restinho ficava no prato. Os restos de alimentos e bebidas tinham que ser colocados ao redor da cama, onde ela dormiria. À noite, antes de dormir, ela teria que rezar um Pai-Nosso e fazer um pedido a Santo Antônio, para sonhar com o homem que estaria junto a ela na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, dividindo – pelo menos – uma parte da vida com ela. Clarice fez tudo conforme a avó havia ensinado. Amanheceu, e a frustração: Não deu certo, sonhei com o Cláudio!, exclamou. O noivo da irmã! Não se deve acreditar em simpatias, pensou ela, desiludida. Santo Antônio, quem diria, tinha lhe dado o calote! Logo o Cláudio, que nunca tinha lhe despertado paixões, pois era bem mais velho e apaixonado pela irmã!
A irmã casou-se com o noivo, tiveram filhos, e a vida continuou. Mas, infelizmente, a irmã faleceu de repente, de uma doença que não lembro qual. Clarice cresceu, namorou e se divertiu com os amigos, como qualquer garota da idade dela. O tempo passou então Cláudio e Clarice tornaram-se amigos próximos, se apaixonaram e… Se casaram! Santo Antônio não tinha lhe dado o calote, apenas era um pouco atrasado nas previsões. Ninguém é perfeito, nem mesmo os santos! E Santo Antônio tem uma bela história, não iria decepcioná-la.
Clarice e Cláudio são pais de Francisca, que também fez o mesmo ritual para saber qual seria o rosto do futuro marido, na adolescência. O rosto dele não apareceu no sonho, mas a roupa, sim, que ela reconheceu em Vítor quando fez a catequese: ele usava calças de cor marrom, conforme o homem que apareceu no sonho. Hoje os dois estão casados e têm uma linda menina. Desta vez, Santo Antônio tinha sido mais rápido na previsão.
Nunca fiz esta simpatia, pois sempre me lembro dela quando o dia de Santo Antônio já passou. É daquelas histórias de se arrepiar só de imaginar!





4 comentários:
Adorei a história do santo!
Mas que baita coincidência, ou seria obra do além?
Realmente, Dani, dizem que pessoas que acreditam pra valer, a coisa acontece.
Nunca fiz promessa, portanto nunca sonhei, mas que seria tentador experimentar, ah, isso seria.
Muito legal o seu relato das duas moçoilas casamenteiras.
Beijos!!!
Oi, Dani, viu que Santo Antonio não engana?
Beijinhos e saudades.
Obrigada, Lu. Fiz muitas simpatias na adolescência, sou meio bruxinha. Essa simpatia é tentadora, mas sempre esqueço dela!
Francisca, pois é, outro dia de Santo Antônio e não é que me esqueci novamente da simpatia? Hahaha, valeu! Saudades também, vê se aparece por aqui no Sul, viu?
Beijos pra vocês.
Hua, kkk, ha, ha, será que dá certo para homens?!
Hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo de curiosidade.
Mas vou botar a leitura em dia...
Fique com Deus, menina Daniela.
Um abraço.
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