Descabelada!

descabelada
Fiz autoanálise no cinema. Deitei no Divã de Martha Medeiros ao assistir ao filme, baseado no livro dela. Eu me identifiquei com a personagem, bem mais velha do que eu, e que tinha uma amiga da época de adolescência, parceira nas loucuras, no qual ela contava toda a vida dela. Mercedes, personagem de Lilia Cabral, levava uma vida básica, com uma família básica e o visual não era diferente. Quando começou a fazer análise, resolveu viver tudo aquilo que sempre quis. Isso também aconteceu comigo quando comecei a fazer terapia. A análise de nós mesmos nos faz acordar para a vida. Adorei quando ela foi ao cabeleireiro e pediu que ele lhe repicasse o cabelo. O cabeleireiro tentava compreender o que fez a sua cliente, tão mesmice, querer mudar o visual de uma hora para outra. Fiquei pensando se o meu visual estava muito sem vida. Nunca fui discreta, mas, depois de velha, eu me vi certinha, aparência que tanto critico. É um visual apagado. Saí do cinema com uma vontade de repicar o cabelo, como se isso fosse resolver todas as minhas insanidades.

No outro dia, saí às compras com minha mãe e a Erleth, uma amiga perua. Erleth é daquelas amigas que eu posso falar sobre mim, que ela não vai se apavorar com as minhas maluquices (ou a falta delas), tal como a amiga do filme. Somos amigas há 16 anos! Eu e minha mãe precisávamos renovar o guarda-roupa de inverno, detesto comprar roupas de inverno, nada me agrada. Não gosto de andar entrouxada, gosto mesmo é do verão, pouca roupa nos dá a sensação de liberdade. Minha amiga adora comprar, e consultoria de moda é a cara dela. Como nunca sei o que quero e fico horas tentando escolher o que levar, ela me pediu para experimentar um blusão com pelúcia na parte da frente, imitando pele. “Cansei do teu visual básico, tu precisas se repaginar!”, dizia ela, jogando várias roupas no provador para eu experimentar. Para ela me dizer isso, era porque a coisa estava feia. Como eu suspeitava, estava com visual de velha. Acabei comprando o tal blusão com pelúcia, meio receosa em usá-lo. Quando cheguei ao trabalho, vestida com o tal, meu chefe me perguntou se eu tinha cortado um pedaço do carpete e colado na roupa. Isabel, outra amiga, lançou um olhar diferente no blusão. “Este blusão é a cara da Erleth!”, disse ela. “Não me encontrei ainda, preciso achar um estilo só meu”, pensei. Mas não posso negar que o blusão chama a atenção, e não preciso dizer que adoro aparecer.
O básico me lembra velhice, aposentadoria. Quero manter distância desta aparência. Em seguida chego aos quarenta (em seguida? Faltam seis anos, quando devo começar a dizer que estou chegando lá?) e, dizem, que a vida começa nesta fase. Idade da loba com cara de ovelha mansa não combina. Aliás, mansa é uma palavra que não tem nada a ver comigo, explosiva que sou. Tem pessoas que tem um estilo próprio, uma característica. Não sou assim, mas gostaria de ter uma marca que registrasse que algo é “a minha cara”.
É estranho como algumas pessoas se contêm com o passar dos anos. Não só no comportamento, mas no visual. Sempre fui meio perua, gosto de me arrumar e vivo mudando o cabelo, contudo não estava contente com essa minha fase discreta de ser. Aliás, nunca soube da discrição fazer alguém feliz. Não que eu esteja incentivando a indiscrição, acho que temos que nos preservar, pois há muitas pessoas que adoram julgar os outros. Falsos moralistas. Falo do conservadorismo, de se anular. Fui correndo a minha cabeleireira e disse a ela que queria repicar o cabelo, precisava tirar aquela imagem certinha, tinha me enjoado. Eu me enjôo fácil, tanto que já fui ruiva, loira e morena, agora estou com mechas e lisa. Na verdade, sou tão crespa quanto a Patrícia Pillar, mas pra ela combina aquele volume todo na cabeça, porque é alta. Eu, com menos de um metro e meio de altura, fico igual a um espanador de pó. “Lá vem um cabelo”, diriam. Nada como uma escova definitiva (sem formol, porque este deixa careca com o passar dos anos). Um colega me disse uma vez que eu sou a alegria dos cabeleireiros, e também que eu sou a versão feminina do David Bowie, o camaleão do rock. Não só do meu visual eu enjôo, mas também o do meu blog. O Mundo Insano... tem um ano e este já é o terceiro layout dele. Ontem mudei o do Puxadinho Mundo Insano..., não agüentava mais aquela mulher grpuxadinho mundo insanoitando no blog (a imagem do cabeçalho, no lugar da margarida, era a da mulher do filme Psicose). Não gosto da mesmice, necessito de mudanças. Minha terapeuta reikiana (que também entende de Astrologia) me disse que esta é uma característica dos arianos, a busca pelo novo, a necessidade de sempre começar algo diferente.
Acabei desfiando o cabelo, não sei se gostei da mudança, ficou legal, é que ainda estou me acostumando com a falta de cabelo. Está curto, pelos ombros, ele era comprido. Gosto das mudanças radicais. Mudar aos poucos, para se acostumar com a diferença, não é comigo. Quero que dê para perceber que mudei. E acho tão sem graça aquelas pessoas que não notam nada. Tu vais coninonm uma roupa/cabelo diferente ao trabalho ou ao curso e ninguém fala nada. Tem pessoas assim, dou graças pelos meus colegas notarem tudo! Nada escapa na percepção deles, gosto de gente assim. Também não entendo as pessoas que vivem sempre com o mesmo corte de cabelo. Conheço uma que ainda mantém aquele cabelo repicado dos anos 80, tipo a Ninon, personagem de Cláudia Raia em Roque Santeiro.
A mensagem que Divã passa é sobre mudança. “Para mudar é preciso dar o primeiro passo”, diz no site do filme. Mudar o visual renova, é a primeira etapa de uma transformação. No meu caso, esta é a vigésima etapa, pois meu processo de camaleoa começou há uns dois anos e meio, ou nunca teve começo, estou constantemente em renovação, em busca de mim. Tenho fases que me escondo, e outras que quero aparecer. E assim levo a vida, vivendo e aprendendo. Mudando, quando necessário.

10 comentários:

Flávia Fayet disse...

To louca pra assistir o Divã! Ah porq nao colocou foto do cabelo novo??? E do "blusão q é a cara da Erleth"!!! Hehehe

Beijos

Daniela Figueiredo disse...

Hahaha, é mesmo. Vou mudar a foto do perfil, talvez eu apareça com o blusão! O filme é ótimo, a gente ri o tempo todo, e se descabela chorando no final.
Beijos.

Afrodite disse...

Adorei a descrição toda sobre vc. Também acho isso tudo. A gente não pode se acostumar com a mesma cara, o mesmo cabelo, a mesmice enfim...
Devemos e precisamos nos renovar para nos sentirmos vivos.
Também falei sobre ser ariana no meu post sobre a festa de ontem. Nem está pronto ainda, mas eu falei sobre esse "bicho carpinteiro" que habita nos arianos.
Mas acho melhor ser assim do que acomodado.
Muito bom o seu texto. Nunca pensei que encontraria alguém tão parecido comigo em vários aspectos. É por isso que adoro ler seu blog e ser sua amiga.

Beijos e ótima semana pra vc.

Blue disse...

Mas eu também preciso assistir, pois já é o segundo blog em que leio sobre este filme!
E acho que um dia vou acabar mesmo num divã de um analista, mesmo que não acreditando nisso. Quem sabe uma transformação não começa aí!

Beijos. Ótimo texto!

Paulo Pinto Pereira disse...

Daniela, querida, acho que quando você for velhinha,e pra isso ainda precisas caminhar uns 60 anos, você poderá pelo menos afirmar que voltou para a primeira infância... rsrsrs
Pessoas como você não mudam, porque nunca são iguais...
Excelente texto!
Grato pela visita!
Beijos!

ju rigoni disse...

Dani, querida, já estava com saudades daqui.

Dei boas gargalhadas com o seu post. É mesmo muito interessante o que as mudanças no visual podem fazer com a gente. Obviamente prefiro desviar-me de análises como a do seu chefe. Hilário! Mas é quase impossível, porque meus amigos são uns palhaços, sacanas; se puderem colocar nem que seja uma pulguinha atrás da orelha... nem tenha dúvidas de que vão tentar. É tudo por uma boa gargalhada.

Quanto a mim, impossível mexer no meu cabelo. Ele me precede. Onde quer que eu vá ele chega primeiro. Já fiz de tudo, inclusive cortá-lo bem curtinho. Todo mundo odiou. Eles dizem que apesar do trabalho que me dá, esse meu cabelo horroroso é a minha marca registrada. Qualquer tentativa de mudança é rechaçada com grande ênfase. Daí, apesar de detestar a cabeleira, vou deixando tudo como está.

Adorei ler o post, querida! Bjs e inté!

Lourdes disse...

Coloca o blusão também!
Eu achei o blusão tão bonitnho, tão light!
Mudar faz bem!
Coloca as energias em movimento!
beijinhos da mamy!

Anônimo disse...

Ei Dani!! O blog "O que elas estão lendo!?" está com sorteio!

Como você é nossa seguidora, viemos aqui te lembrar que amanhã é o último dia para participar.

Como participar? Só deixar um comentário dizendo: Eu quero participar!

Você vai estar concorrendo ao livro do famoso escritor brasileiro Pedro Drummond.

Depois é só cruzar os dedos!

beijos e boa sorte

Equipe "O que elas estão lendo!?"
www.elasestaolendo.blogspot.com

Ariana disse...

Querida amiga insana,

Passei aqui pra pegar o nome da música do Nando Reis, essa última que você colocou no post “Senhora”. Estou tendo umas inspirações pra essa música. Aí, resolvi surrupiá-la daqui, mas estou avisando de antemão, pois, hoje descobri um texto meu em outro blog e não gostei porque tem apenas o meu nome, não direciona para o meu link. Pode isso? Fiquei p*** da vida...
Bom, vou ficar uns dias sem postar pq estou com uns planos profissionais na cabeça que estão tomando o meu tempo. Se der certo, vou parar de dar aulas e de ser “profe”...
Beijos, Dani, lindos dias pra você!

Daniel Savio disse...

Se for a foto do perfil fico bonita...

Idade da loba?!

Hua, kkk, ha, ha, (sendo um pouco abusado) quem vai ser a tua ovelha?

Hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo de curiosidade.

Fique com Deus, menina Daniela.
Um abraço.