Ser diferente incomoda muita gente…
Divagações de Daniela Figueiredo em Sábado, Julho 18, 2009 Marcadores: ego ferido, opinião, preconceito, valoresPreconceito, segundo o Houaiss, é qualquer opinião ou sentimento, quer favorável ou desfavorável, concebido sem exame crítico. Também é ideia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão. Ou, ainda, atitude, sentimento ou parecer insensato, de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.
Preconceito é uma palavrinha delicada, sentimento que todos nós sentimos, uma vez ou outra. Atire a primeira pedra quem nunca teve preconceito com alguém ou alguma coisa! Hoje aconteceu algo que me fez refletir, quando voltei da aula de um curso que estou fazendo: Até quanto uma brincadeira agride o outro?
Acho essenciais as brincadeiras dos professores nas salas de aula, seja para descontrair e tornar a matéria menos chata, seja para acordar de vez o pessoal, pois é um curso noturno, em que a maioria levanta às cinco ou seis da manhã e, por estudar à noite, chega em casa lá pela meia-noite ou à uma da manhã. Tenho muitos colegas que moram na região metropolitana, verdadeiros guerreiros! Não é fácil trabalhar e estudar ao mesmo tempo.
Brincadeiras a respeito de homossexuais, sexo, mulheres e “piçudos” são comuns. Mas qual é o limite que se pode ir nessas brincadeiras, para não ofender ao próximo? Será que, para divertir uma sala de aula é realmente necessário fazer chacota da escolha sexual do outro, em exemplos da matéria em questão? Sou deficiente física e confesso que, nas aulas sobre o corpo humano, quando o professor demonstra como um indivíduo que teve Poliomelite ou tem a perna mais curta que a outra caminha, me incomoda. Nessas horas, sempre penso: “Será que os colegas estão associando a mim?” Tenho sequelas de encefalite, e estas são parecidas com as das doenças que mencionei. Mas não reclamo, porque acredito que é algo que as pessoas têm que ter consciência de como é, e se formos querer “tapar o sol com a peneira”, nunca falando no assunto, somente permitiremos uma sociedade alienada e sem opinião sobre os fatos.
Na aula de hoje, o professor – muito simpático e querido por todos – não estava nos seus melhores dias. Implicou com alguns alunos que o interromperam nas suas piadas (com outras piadas) e reclamou sobre o olhar – nada simpático – de uma colega. Fez seu discurso sobre ter respeito pelo próximo e achar necessária a brincadeira ao ensinar, para facilitar o ensinamento, porque a gente aprende mais brincando do que decorando (concordo). O que ele não esperava era ouvir de um aluno – homossexual - uma reclamação, um pedido de respeito, sobre as brincadeiras com mulheres e homossexuais. O professor, que é obeso, desculpou-se e se defendeu dizendo que ele próprio faz brincadeiras sobre o físico dele. E o aluno respondeu que isso é um problema entre o professor com ele mesmo. E tem razão.
Não preciso dizer que a aula, sempre divertida, foi uma chatice, pois o professor se fechou. Entendo que ele não tinha a intenção de ofender ninguém (pois ofensa é algo que ele repugna, e deixa muito claro isso), e nem condeno o colega ao reclamar sobre a falta de respeito com os homossexuais e as mulheres. Mas é necessário refletir sobre até que ponto as nossas brincadeiras ofendem a dignidade do próximo. Até quanto machuca. Quando praticamos o que tanto condenamos, como aconteceu com o professor? Logo ele, o professor que sempre foi contra à discriminação, sendo acusado de desrespeito!
Outro ponto a se pensar é o que o colega disse em resposta ao professor, sobre fazer brincadeiras sobre si mesmo. Os “excluídos”, os “diferentes”, os “fora do padrão” aceitos pela sociedade, têm essa mania de fazer brincadeiras e chacotas com eles próprios, para serem aceitos. Por que entrar no jogo e se colocar para baixo, alvo de risadas, falando mal de si mesmo? Para fazer os outros rirem e pensarem o quanto ele(a) é legal? Vale à pena? Infelizmente, o excluído entra no jogo e se coloca para baixo, em público. E todos riem, aceitando o “diferente” e o “não agradável” em troca de diversão. Um fato é certo quando isso acontece: nós podemos nos depreciar, o outro não. Senão ficamos furiosos! Nos ofendemos! Mas que amor próprio é esse, em que nos permitimos nos autodepreciar? Coitados de nós, que não nos respeitamos! Respeito é fundamental para se viver bem. E o respeito por nós mesmos é o mais importante. Como podemos exigir algo que nem nós nos oferecemos?
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12 insanidades:
É meio complicado, pois o teu colega não precisaria exatamente chamar a atenção do teu professor em frente dos alunos...
Outra coisa, pelo o que eu entendi, o teu professor sempre fazia alguma brincadeira, então por que justo agora o teu colega foi se exaltar?
É claro que cada pessoa é um mundo, sendo que estou sendo superficial demais ao tomar um dos lados, mas muita coisas acabam se tornando erradas devido ao jeito que fazemos...
Bem, espero que o teu professor acabe voltando a normalidade.
Maneiro a mudança do layout do teu blog.
Fique com Deus, menina Daniela.
Um abraço.
Oi, Daniel. Este é um assunto complicadíssimo! A maioria pensou como tu, sobre o colega ter reclamado na frente de todos. Acredito que foi motivado pelo fato do professor ter exigido respeito ao ver a cara feia que a colega fez. Sabe-se lá há quanto tempo ele estava guardando a mágoa pelas brincadeiras?
A questão não é ficar do lado do professor ou do aluno, e sim, tentar entender os dois lados, sem condenar ninguém, pois não estamos livres de passar pelas duas situações. Também espero que o professor volte à normalidade.
Beijos, e obrigada pelos comentários. Comentaste todos os textos! Legal!
Oi, Dani!
Excelente post, que convida a refletir... O cerco é tão grande que acaba resultando em situações como a que você descreveu. Ora, duas pessoas vítimas de preconceito a se estranharem...
Já sofri muito preoconceito, de vários tipos diferentes. Ainda sofro. Certa vez, li um artigo, - já não me lembro o nome do autor -, que dizia que o preconceito assemelha-se muito a um vício. Normalmente, as pessoas crescem vendo e ouvindo coisas que levam-nas a construir um conceito errado a respeito de tudo que é diferente. E quando ela cai em si, tenta escapar, libertar-se, mas o processo é lento e, vira-mexe, quase sem perceber, entrega-se novamente a ele, tal a dificuldade de manter consciente o absurdo da rejeição.
Dani, querida, obrigada por ainda me visitar. Por conta do trabalho continuo não conseguindo colocar minha vida virtual nos trilhos. Ando visitando pouquíssimo, embora esteja me esforçando para manter os blogues atualizados, o que faço uma vez por semana, ou de quinze em quinze dias.
Bjs, Dani, inté!
Dani,
Há mais misterios entre o ceu e a terra,do que sonha nossa vã filosofia,(Sheakespeare),enfim,viver é um grande exercicio de acertos e erros,acredito que esse seja o grande tempero da vida.
Podemos tentar e às vezes até conseguiremos encontrar respostas para muitas coisas, mas ainda assim uma infinidade de outras coisas deixarão de ser pensadas, descobertas e solucionadas.
Beijos amiga.
Esse fato que aconteceu na sala de aula [e mais comum do que se imagina. E vc tem razao em dizer que ficamos furiosos com pitacos de terceiros a nosso respeito... consideramos esse direito unicamente nosso. Pena que a aula tenha desandado pro lado chato, e o pior, os comments sobre o acontecido vai render, talvez at[e o professor nao tenha mais a mesma espontaneidade daqui para a frente.
Mas que ser diferente incomoda, ah, isso incomoda, sim, e em todos os sentidos, seja por um aspecto fisico, ou apenas de conduta.
Haja saco pra aguentar esse mundo, ou melhor, entende-lo e aceita-lo.
Desculpe pela falta de acento e pelos erros, mas meu teclado est[a desconfigurado hoje, e eu nao sei configurar, rsrsrs.
Adorei a sua reflexao, bastante oportuna.
Beijos!
Boa semana pra ti, e sem aula chata, espero.
Pois é, nós não gostamos quando são os outros tirando um sarro da nossa cara, mesmo que seja por algo que nós temos o costume de fazer.
Não sei, mas, embora o colega tenha seu direito, talvez tenha lhe faltado um pouco de compreensão, afinal, o prof sempre não faz brincadeiras? O que também não significa que porque ele faz com todo mundo, o colega tenha que aceitar... Enfim, complicado!
Bjitos!
Oi, Dani,
Duas coisas:
Esqueci de comentar que adorei esses pintinhos da imagem: muito fofos, e que ainda não acostumei com os comments lá em cima. Outro dia fiquei meia hora procurando onde se comentava, hahahahahaha...
Beijos!
Boa quarta!
Dani, querida, isso me fez lembrar um professor que tinha hábito, mas sempre na forma de brincadeira, de chamar os outros de "animal", tanto assim o apelido dele ficou "Animal" e ele não se importava. Mas a postura dele era clara e nunca comprometedora. Acho que é a questão dos limites e da colocação.
Que situação! Fiquei curiosa com as aulas seguintes...
Bjs
Daniela, adorei o visual novo! Ainda não tinha visto pois sempre leio pelo bloglines.
A verdade é que as pessoas fazem brincadeiras com as outras e não suportam que façam com elas mesmas. Não vejo graça nenhuma em 'gracinhas', graças forçadas, essas coisas! Nada se compara ao humor espontâneo e as piadas prontas, não querendo ser mal humorada é puro lixo.
Sabe que tem pessoas que procuram o ponto fraco da outra somente para rebaixá-la, isto só reforça a teoria de que os mais engraçadinhos, querendo chamar atenção sobre si, demostram carência. Algo do tipo "Olha, eu existo" e baseado neste conceito de psicologia de botequim, a sociedade acha que os 'diferentes' são na realidade 'carentes' e as coisas não são bem assim. Pessoas que sabem o que querem, incomodam e muito!! Boa semana! Beijus
As brincadeiras normalmente entre colegas de um grupo fechado são bem aceitas .O problema geralmente acontece quando elas saem daquele grupo e outras pessoas ficam sabendo ,quando ela passa do limite .
Existem as brincadeiras boas e sadias e aquelas que visivelmente são para depreciar ,para realmente tentar te prejudicar de alguma maneira .
Sempre que me senti prejudicado com alguma brincadeira cortei na hora não deixei de falar .
De nada menina Daniela, na verdade tenho este costume, de comentar desde o ultimo comentário que fiz...
Acabou descobrindo as pessoas ao pouco, mas é claro que não dá para descobri totalmente a pessoa, mas uma boa parte eu acabou lembrando...
Fique com Deus, menina Daniela.
Um abraço.
Pelo que pude perceber, houve um confronto entre egos, entre todos os egos envolvidos na história, inclusive o meu, que não o consigo separar de mim quase nunca. Mas é bom lembrar que o ser humano só melhorará quando o ego for dominado,ao menos em parte, passando a ser fração do todo e não expoente, e que é bom começar logo. Egos assim fazem surgir sociedades humanas concentradoras e aviltantes,o que trucida-los-á ao invés de facilitar que sejam ao menos disciplinados e respeitosos.
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